O valor da repetição

Uma técnica eficaz

 

      «Bem difícil decerto, doutor, bem difícil» (O Último Cais, Helena Marques. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 3.ª ed., 1994, p. 15). Na oralidade, que a frase reproduz, são muito comuns estas repetições. Nesta obra, porém, encontra-se também muitas vezes no discurso indirecto. «Constança deu-se conta de quanto sentia, bem fundo, bem fundo, aquele finalmente no minuto em que o padre vigário de Santa Luzia se curvou para fechar os olhos da morta» (idem, ibidem, p. 39). «Nunca tinha sentido aquela urgência, aquela necessidade imperiosa de permanecer encostada ao sexo de Marcos, movendo-se, movendo-se, à espera de qualquer coisa que havia de vir e seria muito melhor e mais forte do que o perturbante prazer que já então sentia» (idem, ibidem, p. 53). «Mas ainda bem, ainda bem, segredos assim não se partilham» (idem, ibidem, p. 54). «A memória de Catarina Isabel reteria também, durante longos, longos anos, nítida, rutilante e imaterial, a lembrança de um duplo arco-íris que surgiu sobre o mar, do lado da ponta do Garajau, em curva perfeita e delicada» (idem, ibidem, p. 113). «Na outra mão, a doente segura o rosário de ametistas que o primo Antero trouxera do Brasil há tantos, tantos anos» (idem, ibidem, p. 142). «Mas por uma vez, uma só vez, vai quebrar as normas e correr o risco» (idem, ibidem, p. 155).

 

[Texto 6181]

Helder Guégués às 07:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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