12
Set 15

Mas cobertas são os andares

Ficou mesmo estudada, a liçãozinha?

 

      «Durante cerca de um ano estes jovens da Casa Pia — seleccionados por mérito pela associação Aporvela — tiveram aulas teóricas e práticas, assistiram a palestras e aos fins-de-semana navegaram num outro veleiro da Marinha, o Creoula. “Aquilo são cabos, não são cordas, não há direita nem esquerda mas sim bombordo e estibordo e não há quartos mas sim cobertas” — a lição ficou estudada» («Marinheiros por dez dias», Maria Espírito Santo, Sábado, 10.09.2015, p. 84).

      Ficou mesmo estudada, a lição? Não percebi aquela dos quartos e das cobertas, pois estas são os diversos andares ou pavimentos internos do navio. O par de vocábulos em causa não será quarto/camarote? Talvez o nosso leitor Paulo Araujo, especialista nestas questões da Marinha, nos possa esclarecer.

 

[Texto 6232]

Helder Guégués às 11:50 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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E os hífenes?

Só da pressa?

 

      «O Sagres, navio escola, viajou com 128 militares, 48 cadetes e, pela primeira vez civis. […] É uma oportunidade única entrar no Navio da República Portuguesa Sagres, veleiro construído no final dos anos 30 que termina agora a sua missão com a roda-viva do costume, os assobios que orientam a atracagem cruzam-se com as conversas das dezenas de famílias que dão as boas vindas, em terra. […] Uma aventura para recordar, garantem: até ao mastro, em alto mar, puderam subir — uma altura que equivale a seis andares de um prédio» («Marinheiros por dez dias», Maria Espírito Santo, Sábado, 10.09.2015, p. 84).

   E o hífen, o hífen, o hífen, Maria Espírito Santo? Assim: navio-escola, boas-vindas, alto-mar. «Maria», diz o hífen, «não me mates, que faço falta à escrita!»

 

[Texto 6231]

Helder Guégués às 11:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Por que raio não aprendem?

Promete que não se esquece?

 

      «“A primeira vez que a vi usava apenas uma toalha e segurava uma taça de champanhe”, diz Larry, um dos filhos de [Sam] Shaw numa entrevista ao Canal Biography, a propósito do encontro com a diva [Marilyn Monroe]. “Lembro-me de pensar: porque raio é casada com o Joe DiMaggio?”» («Ele levantou o vestido a Marilyn», Ágata Xavier, Sábado, 10.09.2015, p. 92).

      Acertam em muita coisa, nisto erram muito. Ágata Xavier: é «por que raio», como também é «por que bulas», «por que carga de água», «por que diabo» e variantes. Promete que não se esquece nunca mais? Eu, por mim, vou ver as mais de 200 fotografias de Sam Shaw expostas, até 8 de Novembro, no Centro Cultural de Cascais.

 

[Texto 6230]

Helder Guégués às 08:38 | comentar | favorito
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12
Set 15

Fases da Lua

E se for da Mongólia?

 

      «Jigme e Jetsun casaram-se em Outubro de 2011, por determinação de um lama (guia espiritual budista), em função do alinhamento dos planetas e dos signos astrológicos dos noivos, e a seguir a uma noite de Lua cheia» («Chamam-lhe o Elvis dos Himalaias», Sónia Bento, Sábado, 10.09.2015, p. 95).

      Não é um tudo-nada pomposo, «guia espiritual budista»? Lama é o sacerdote budista. Também o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora tem de corrigir o respectivo verbete, que diz que lama é o «sacerdote budista tibetano». E, por fim, Sónia Bento, as fases da Lua grafam-se com minúsculas: lua cheia, lua nova, quarto crescente, quarto minguante.

 

[Texto 6229]

Helder Guégués às 08:37 | comentar | favorito