04
Out 15

Léxico: «bola-de-vento»

Para quem não sabia

 

      «No meio de tanta azáfama, alguém dá um encontrão no microfone da SIC, do qual salta a esponja vermelha que identifica a estação. Nisto, o homem que ainda há pouco comparou Sócrates a Deus (“Deus é grande e o senhor também!”), dobra-se para o chão[,] lá apanha a bola-de-vento da estação de Carnaxide, entregando-a [sic] quem de direito» («“Enorme” como Deus, Sócrates foi votar pela primeira vez depois da prisão», João de Almeida Dias, Observador, 4.10.2015).

 

[Texto 6289]

Helder Guégués às 20:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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04
Out 15

Tradução: «vault»

Mais confusões

 

      Sim, é isso que a Encyclopaedia Britannica diz, que «a cellar differed from a vault» — não podemos é traduzir vault, no contexto, por «cofre», não é? Será «cave». Em causa estavam estruturas para armazenar garrafas e pipas de vinho. Mas há pessoas que confundem tudo: cave com sótão, telhado com tecto, e por aí fora.

 

[Texto 6288]

Helder Guégués às 14:02 | comentar | favorito
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03
Out 15
03
Out 15

Ortografia: «Tanganhica»

Em três, duas erradas

 

    «Os britânicos Richard Burton e John Speke exploraram, em 1858, o lago Tanganyika», acabo de ler. Ora, já Cândido de Figueiredo, no seu dicionário, lembrou que este topónimo «aparece sob a forma bárbara Tanganyika». Em suaíli está correcto, mas nós, embora nem sempre com muito orgulho, somos Portugueses. Rebelo Gonçalves, no Vocabulário da Língua Portuguesa (p. 977), regista Tanganhica e escreve que é «inexacta a forma Tanganica».

 

[Texto 6287]

Helder Guégués às 23:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Out 15

Sobre «disciplina»

Alguma coisa tem

 

      «Cenas deste tipo terminam muitas vezes também com adultos a berrar. Um drama, portanto. Um cocktail destas reacções automáticas é o que muitos pais entendem como “disciplina”, quando a origem da palavra nada tem a ver com castigar mas sim com “ensinar, aprender, dar instrução”, dizem os autores do livro Disciplina sem Dramas (editado pela Lua de Papel), que esta semana chegou às livrarias» («Disciplina. E se o seu filho lhe bater ou disparar um dardo para o olho da irmã?», Catarina Gomes, Público, 2.10.2015, p. 20).

      De facto, disciplina, etimologicamente, é ensino, educação. Mas são conceitos — castigo e disciplina — que, desde cedo, se relacionaram. Porque é que se diz disciplina militar? E não se fala também da disciplina na Igreja, por exemplo? E porque é que às correias para açoitar, por penitência, se dá o nome de disciplinas?

 

[Texto 6286]

Helder Guégués às 09:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Out 15

De novo o imperativo «diz/dize»

Há mais de cem anos

 

      «— Tu! viste-o, Ludovina? sem repugnancia, minha filha? Que inspiração tiveste de o visitar? O coração impelia-te? era o coração? diz, diz, que eu preciso acreditar n’uma influencia divina em tua nobre alma! Não me respondes, filha! Não queres dar-me a alegria completa! Foi só por caridade, por compaixão, que o visitaste?» (O Que Fazem Mulheres, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Parceira António Maria Pereira, 4.ª ed., 1907, p. 159).

     Edição de 1907 — e nada do imperativo «dize», mas sim «diz». Diz, diz. Ao contrário do que vimos, lembrar-se-ão, na edição de 1888 da obra-prima Os Maias. Como ainda recentemente vimos, os verbos trazer, fazer e os terminados em -uzir têm, no imperativo, esta dupla forma, com queda e sem queda do e final. Na fixação do texto, tem de se ter em conta também este aspecto.

 

[Texto 6285]

Helder Guégués às 00:08 | comentar | favorito
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01
Out 15
01
Out 15

«Azo/anso/auso» — variantes?

Ao cuidado dos dicionaristas

 

      Devem os dicionários acolher todos os hápax? José Pedro Machado tentou fazê-lo. Se todas as dificuldades de um dicionário ficassem resolvidas, eu diria que, numa segunda fase, sim, mas não sem um acurado esforço de destrinça. É que há falsos hápax. Não estará neste caso dar anso (dar azo, motivo), que Camilo usa em mais de uma obra? Até a locução dar ansa desapareceu dos dicionários, que registam apenas «ansa». E, contudo, não estará «anso» ali por descuido do tipógrafo, em vez de «auso» — e este em vez de «azo»? (Mas «auso» por «azo» por opção deliberada de Camilo.) Julgo que sim.

 

[Texto 6284]

Helder Guégués às 09:22 | comentar | favorito