02
Out 15
02
Out 15

De novo o imperativo «diz/dize»

Há mais de cem anos

 

      «— Tu! viste-o, Ludovina? sem repugnancia, minha filha? Que inspiração tiveste de o visitar? O coração impelia-te? era o coração? diz, diz, que eu preciso acreditar n’uma influencia divina em tua nobre alma! Não me respondes, filha! Não queres dar-me a alegria completa! Foi só por caridade, por compaixão, que o visitaste?» (O Que Fazem Mulheres, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Parceira António Maria Pereira, 4.ª ed., 1907, p. 159).

     Edição de 1907 — e nada do imperativo «dize», mas sim «diz». Diz, diz. Ao contrário do que vimos, lembrar-se-ão, na edição de 1888 da obra-prima Os Maias. Como ainda recentemente vimos, os verbos trazer, fazer e os terminados em -uzir têm, no imperativo, esta dupla forma, com queda e sem queda do e final. Na fixação do texto, tem de se ter em conta também este aspecto.

 

[Texto 6285]

Helder Guégués às 00:08 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
01
Out 15
01
Out 15

«Azo/anso/auso» — variantes?

Ao cuidado dos dicionaristas

 

      Devem os dicionários acolher todos os hápax? José Pedro Machado tentou fazê-lo. Se todas as dificuldades de um dicionário ficassem resolvidas, eu diria que, numa segunda fase, sim, mas não sem um acurado esforço de destrinça. É que há falsos hápax. Não estará neste caso dar anso (dar azo, motivo), que Camilo usa em mais de uma obra? Até a locução dar ansa desapareceu dos dicionários, que registam apenas «ansa». E, contudo, não estará «anso» ali por descuido do tipógrafo, em vez de «auso» — e este em vez de «azo»? (Mas «auso» por «azo» por opção deliberada de Camilo.) Julgo que sim.

 

[Texto 6284]

Helder Guégués às 09:22 | comentar | favorito