De novo sobre «customizar»

«Obrigado, Helder Guégués»

 

   A consultora Sara Mourato, do Ciberdúvidas, alterou — sem mencionar que o estava a fazer nem referir a minha crítica amplamente divulgada — a sua resposta sobre o vocábulo «customizar» (aqui). É feio — mas eu já estou acostumado. O pior é que a argumentação ficou mal-alinhavada, pela persistência no erro sobre o sufixo verbal: «Vejamos agora a formação do verbo "costumizar": este verbo é formado por costum- + izar. O elemento de composição latino costum- significa “costume, hábito, uso”, e o sufixo derivacional -izar tem carácter causativo, tal como em arborizar (Dicionário Houaiss 2001). Assim, em língua portuguesa, podíamos assumir que costumizar seria “fazer com que passe a costume”, e não “adaptar às necessidades do cliente”. Para evitar tal equívoco, o melhor será, portanto, recorrer a personalizar.» Pobres leitores.

 

[Texto 6373]

 

 

Actualização às 13h05

 

Já depois deste meu texto, a consultora Sara Mourato acrescentou: «N. E. — Resposta corrigida em 2/11/2015, na sequência de reparos e observações de outros consultores.» Obrigado, mas eu não sou consultor do Ciberdúvidas. Só espero que estas atitudes não se aprendam agora na universidade.

 

Actualização às 15h05

 

Já depois do meu protesto de hoje, voltou a alterar assim: «Vejamos agora a estrutura da forma "costumizar", verbo analisável em dois constiutintes: costum-, radical de costume, “hábito, uso”; e o sufixo derivacional -izar, de valor causativo (cf. arborizar; ver também Dicionário Houaiss, 2001). Assim, em língua portuguesa, poderíamos ser levados a interpretar "costumizar" como o mesmo que “fazer com que passe a costume”, e não “adaptar às necessidades do cliente”, que é o significado associado ao inglês customize. Para evitar tal equívoco, o melhor será, portanto, recorrer a personalizar.»

 

Actualização às 15h55

 

Se pensam que me intimidam com mensagens anónimas — com rabo de fora —, estão bem enganados. A crítica a que se referem já era em retaliação por eu os criticar, de quando em quando. Fui sempre brando, sobretudo em 2007, quando me copiaram integralmente uma resposta! São esses os valores que, como professores, passam aos seus alunos? A próxima vez que me fizerem algo semelhante, terão de se haver comigo cara a cara.

 

Actualização às 20h10

 

Antes fosse apenas um mau sonho, mas não. Eliminaram a nódoa, mas não ficam ilibados, ainda me devem um pedido de desculpas.

 

Helder Guégués às 11:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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