Sobre «salvado»

Pois, mas não está certo

 

      Estava em causa a tradução de salvaged goods, no contexto referido a naufrágios. «Salvados», sugeri. Que não, porque o dicionário («o» dicionário?) diz que esta é palavra relativa a partes de veículos sinistrados ou ao próprio veículo que ficam na posse da seguradora. Já sei, é o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que o define dessa forma: «conjunto de peças, partes substituídas de um veículo sinistrado ou o próprio veículo, que passam para a propriedade da seguradora». Não está certo. O Dicionário Houaiss viu melhor a questão: «(1881) qualquer coisa que escapou de uma catástrofe, esp. de incêndio ou naufrágio (mais us. no pl.)». Antes, já José Pedro Machado o definira nos mesmos termos: «Pl. Tudo aquilo que escapou de uma catástrofe, especialmente de um incêndio ou de um naufrágio» (Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Lisboa: Amigos do Livro Editores, 1981, tomo X, p. 573). E registou o vocábulo no plural, como habitualmente se usa nesta acepção, em verbete independente, com remissão para «salvado». A opção do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa foi a de registar apenas no plural (p. 3321); falta saber se o faz de forma coerente com outros vocábulos também apenas ou sobretudo usados no plural.

 

[Texto 6376]

Helder Guégués às 13:15 | comentar | ver comentários (3) | favorito