Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Ortografia: «posta-restante»

E não é de peixe

 

      «A primeira carta para ela, de Genebra, não levou resposta. Ou não ma remeteram para a posta-restante de Estocolmo, como se deu com duas da minha mãe» (Os Anos da Guerra, 1961-1975, João de Melo (org.). Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998, 2.ª ed., p. 93).

      Há muito que se vê assim escrito, nos dicionários e na literatura, mas não nos Correios. Posta restante é a correspondência que, por indicação do remetente, fica na estação de Correios à espera de ser reclamada pelo destinatário. Ora, esta correspondência fica numa secção especial da estação de Correios — também designada posta restante. Vai sendo uma realidade tão rara, que os falantes já não sabem como referir-se-lhe, como pude comprovar recentemente. Voltando à ortografia: se é substantivo (posta) + adjectivo (restante), não estou a ver para que é o hífen. Não entendem assim os lexicógrafos.

 

[Texto 6437]

 

Posta restante.JPG

Imagem daqui.

 

«Pedir a morte»

Pedir como Vieira

 

      Sofria muito e «pedia para morrer». E a quem se pede licença para morrer? A Deus, com certeza. Em português escorreito, porém, não é assim que se diz, nem «pedia que morresse», por equívoco. Regressemos ao P.e António Vieira, que, num dos sermões, falando de Elias, escreve que «acabou de conhecer quanto melhor lhe era o morrer que o viver, e por isso despedindo-se da vida, pedia a morte: Tolle animam meam». Simples: pedia a morte.

 

[Texto 6436]