A pressa e a informática nos jornais

Ser na China não é desculpa

 

      «O inacreditável acontece todos os dias.» Assim começa uma notícia na edição de hoje do jornal A Bola («Hospital abaixo com gente dentro», p. 36). É quase uma profecia auto-realizável ou autocumprida (self-fulfilling prophecy, para a legião de anglófonos que nos segue). Prossegue a notícia: «Desta vez foi na capital da província de Henan: o Hospital 4 da Universidade de Zhengzhou começou a ser demolido ainda com vários médicos e doentes lá dentro, revelou a tv pública chinesa CCTVTV é sigla, grafa-se com maiúsculas. Mas prossegue: «E na morgue, destruída, ficaram soterrados alguns corpos. Milagre só se terem registado três feridos ligeiros.» Até aqui, tudo normal dentro da anormalidade. E o remate: «Liquidado foi ainda médico avaliado em 600 mil dólares (cerca de 550 mil euros).»

      Isto deve-se às facilidades da informática: corta, cola, reduz, aumenta, e lá vai que a pressa é muita e o paginador espera.

 

[Texto 6533]

Helder Guégués às 15:46 | comentar | favorito
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