15
Jan 16

Ortografia dos trópicos...

Não são topónimos

 

    «Além disso, o furacão Alex é ainda raro devido ao local onde começou a formar-se: numa região subtropical. “Este furação tem uma origem subtropical, o que é raríssimo”, sublinhou o meteorologista. “Geralmente, os furacões formam-se entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio. Para se formar um furacão, são necessárias águas superficiais muito quentes, acima dos 22 a 23 graus [Celsius].”» («Alex é o quarto furacão que chega aos Açores no século XXI», Rita Ponce, Público, 14.01.2016, p. 24).

      Não, não: o nome das linhas imaginárias é grafado com minúsculas iniciais. Logo, trópico de Câncer, trópico de Capricórnio. Como equador, até com a vantagem de o distinguir do país com o mesmo nome.

 

[Texto 6544]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | favorito

Ortografia: «Janículo»

Deuses, palavras e porteiros

 

      Janícolo? Não. O sufixo diminutivo latino é -ulus. Logo, Janiculum, Janículo. É o nome de uma das colinas de Roma. Quem escreveu daquela maneira há-de estar habituado a ler em italiano, Gianicolo. Jano era o deus das portas dos Romanos, um dos mais importantes, dos muitos que tinham. O deus dos inícios. Quando procuramos a etimologia de «janela», também é aqui que desembocamos, pois o latim vulgar januella, um diminutivo, provém de janua (ou ianua), porta, passagem, entrada. Ou seja, uma janela é uma pequena passagem. Quanto a Janeiro (Ianuarius), já toda a gente sabe que é uma homenagem a este deus, representado com duas faces, bifronte (e claramente bipolar, porque guardião da guerra e da paz, benévolo e malévolo), uma a olhar para trás, para o passado, e a outra a olhar para a frente, o futuro. É o que Janeiro faz. O porteiro inglês — janitor — é um deus menor, filho daquele Jano.

 

[Texto 6543]

Helder Guégués às 10:10 | comentar | ver comentários (5) | favorito
15
Jan 16

Sobre «alvenaria»

Os Três Porquinhos

 

      «Para quem acompanha à distância este processo, o lançamento da primeira pedra do quarteirão-piloto do Bairro Padre Cruz foi pouco mais do que o assinalar do início de mais uma obra da Câmara de Lisboa. Mas para quem vive nas casas de alvenaria do bairro e luta há décadas por uma habitação condigna, aquilo que aconteceu ontem foi “um sonho” tornado realidade» («No Bairro Padre Cruz começou a obra que “é um sonho” para os moradores», Inês Boaventura, Público, 14.01.2016, p. 18).

      Há casas e casas e alvenaria e alvenaria, imagino. Foram construídos, em meados do século XX, edifícios de alvenaria com vários andares que ainda estão de pé. A ideia com que se fica quando lemos a definição num dicionário (seja o da Porto Editora) é a de que se trata de uma construção sólida: «conjunto de pedras, tijolos ou outros materiais, que, ligados por argamassa, cimento ou outro, formam uma construção sustentável (muro, parede, etc.)». Na história dos Três Porquinhos, a melhor casa, a mais resistente, era de alvenaria. E nestas novas casas, a percentagem de alvenaria nas construções não será largamente superior ao betão? Estaremos perante um caso de limites da linguagem?

 

[Texto 6542]

Helder Guégués às 08:09 | comentar | favorito
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