Sobre «chador»

Um momento!

 

      «Ashraf Pahlavi era ainda adolescente quando, juntamente com a mãe e a irmã, apareceu em público sem véu na cabeça, uma estreia no país. O gesto foi ousado e altamente simbólico: nessa altura, as mulheres iranianas não saiam [sic] à rua sem o chador, uma túnica que cobre da cabeça aos pés. No site oficial da princesa, há um capítulo dedicado a esse momento, documentado com uma foto: a rainha à frente, descendo umas escadas, com as duas filhas atrás; em vez do lenço, um chapéu» («Morreu a “Pantera Negra” da Pérsia. Acabou uma era», Francisca Gorjão Henriques, Público, 17.01.2016, p. 43).

     Como já vimos a propósito de outros vocábulos, talvez fosse mais adequado escrevermos a palavra com x, xador. Ah, surpresa! Está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Quem diria? É uma variante, e só a tal zoila odienta da revista da pausa menospreza o valor do conhecimento das variantes. E por variantes: encontrei nos Lusíadas «musco», por «musgo», que, na voragem dos tempos, desapareceu. E, no entanto, não aconteceu o mesmo com o par visco/visgo. Voltando a xador/chador: em catalão, é apenas xador que se escreve.

 

[Texto 6548]

Helder Guégués às 22:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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