26
Jan 16

Leões, Dragões e Águias

Podemos fazer melhor

 

      «Independentemente de quem jogar, os “leões” apenas garantem o apuramento se ganharem e o Portimonense perder. […] Os “verdes-e-brancos” têm um saldo nulo (três golos marcados; três sofridos), enquanto o Portimonense tem cinco golos positivos» («Benfica precisa de um empate, Sporting de um pequeno milagre», David Andrade, Público, 26.01.2016, p. 41).

    Não percebo para que se hão-de usar as aspas nestes casos. Mais: como verdadeiros prosónimos que são, até deviam ser grafados com inicial maiúscula. Para quem se satisfaz com menos, pelo menos sem as aspas. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, nem uma palavra sobre estas acepções futebolísticas. Já o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, muito anterior, registava-as, e só com uma incoerência: dos três grandes, apenas águia designa tanto o jogador/adepto/simpatizante como o próprio clube. Na 2.ª edição já estará corrigido.

 

[Texto 6569]

Helder Guégués às 23:37 | comentar | favorito
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Léxico: «halo»

Demasiado místico

 

      «Os pilotos defendem a instalação de mais uma medida de protecção nos cockpits dos monolugares de Fórmula 1 a partir da temporada de 2017, convictos de que a colocação do designado halo irá contribuir para prevenir ferimentos graves e até mortais motivados pelo embate com detritos que possam existir nas pistas» («Instalação de um halo protector nos F1 ganha força», Público, 26.01.2016, p. 42).

      Desta vez, limitaram-se a copiar, e fizeram bem, diga-se. Visto de certa perspectiva, parece um halo, sim. Contudo, talvez aro fosse termo mais adequado.

 

[Texto 6568]

Helder Guégués às 22:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Jan 16

Um PC diferente

Quase irreconhecível

 

      «Se há lugar certo para se usar o conhecido slogan “assim se vê a força
do pecê” é na união de freguesias de Alcórrego e Maranhão, no concelho de Avis. Aí, Edgar Silva pôde retemperar energia e apontar os 53.1% dos votos que recolheu como uma prova da justeza estratégica da sua candidatura. Ou talvez não. É que nas últimas presidenciais o candidato Francisco Lopes tinha obtido na freguesia uns notáveis 71.37% dos votos. E nas últimas legislativas, o PCP conseguiu ficar perto dos 65%» («O bastião vermelho», Manuel Carvalho, Público, 25.01.2016, p. 24).

      Acho que é a segunda vez que estou a ver pecê. (Muito pouco antes da sua extinção, ao que parece.) «Esses para mim... Não gosto mais deles do que da direita. Já não é a primeira vez que me vens com essas. Até parece que andas de namoro com o pecê» (Oceano Oblíquo, Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Publicações Europa-América, 1984, p. 114). Por essa Internet fora, vejo «pêcê». Mas também temos um actor Pêpê Rapazote... Muitas Milús... Mas: «Por seu turno o golpismo não desarma não obstante o marxismo-leninismo que norteia a acção do pê cê pê não nos permitirá jamais correr atrás das massas» (Directa, Nuno Bragança. Lisboa: Moraes Editores, 1977, p. 193).

 

[Texto 6567]

Helder Guégués às 01:04 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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