31
Jan 16

Preço e valor: Adam Smith

Sinónimos, mas pouco

 

      «“O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir.” A frase, com mais de 200 anos, do economista Adam Smith, autor de a A Riqueza das Nações, serve na perfeição para explicar o porquê de tão abrupta queda do preço do petróleo» («A riqueza das nações», editorial, Público, 31.01.2016, p. 68).

      Será que o Sr. Smith disse mesmo isso, ou seja, estará bem traduzido? É que na rubrica «Escrito na pedra» estampam cada disparate que envergonha a própria tinta e deixa o papel ainda mais pálido. Todo o preço é valor; nem todo o valor é preço. «Se cada homem consumisse (utilizasse) apenas os bens por si [sic] próprio produzidos, o valor dos bens utilizados corresponderia ao “esforço do seu próprio corpo” para os produzir: “o verdadeiro preço de todas as coisas – escreve Smith [Cfr. A Riqueza das Nações, I, 119 ss] –, aquilo que elas, na realidade, custam ao homem que deseja adquiri-las, é o esforço e a fadiga que é necessário dispender [sic] para as obter”» (A. J. Avelãs Nunes. «A Filosofia Social de Adam Smith», Boletim das Ciências Económicas, Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Vol. XLIX, 2006, p. 7).

 

[Texto 6586]

Helder Guégués às 16:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Atirar o barro à parede»

Bairro de Telheiras

 

      «Xinle Zhu, do Dim Sum Park, em Telheiras, arregalou os olhos de espanto. Apesar da maturidade dos seus 30 anos, ficou intrigado como uma criança. Do outro lado, o jornalista Markus Almeida escondia um segredo. Ultrapassada uma ligeira hesitação, Zhu perguntou: como é que o jornalista sabia que ele era natural de Qingtian? A verdade é que o Markus não sabia — tinha feito aquele clássico movimento do jornalista-avançado-centro, o “atirar o bairro à parede”» («Diga Dim Sum», Ângela Marques, «GPS»/Sábado, 28.01.2016, p. 3).

      Uns atiram o bairro à parede, outros bramem o estandarte. É assim a vida. Isto é do falar lisboetês. Ainda na sexta-feira ouvi uma jornalista dizer na rádio, várias vezes, «caixa», e afinal era de «queixa» que se tratava. «Não sei como, a censura deixou passar o meu “recuerdo” sobre o Rui Luís Gomes. Vale sempre a pena atirar o barro à parede» (Diário, Mário Sacramento. Lisboa: Limiar, 1975, p. 121). 

 

[Texto 6585]

Helder Guégués às 13:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «caucus», a definição

Assim está melhor

 

      «Estávamos a menos de três semanas de começarem os caucus no Iowa [chamam-se caucus às assembleias políticas em que os eleitores registados num partido discutem as propostas dos seus candidatos e manifestam publicamente o seu apoio por [sic] um determinado representante; arrancam amanhã os das presidenciais de 2016] e Ricky tinha atingido um tal grau de deficiência mental que, prestes a ser executado, nem sabia que as pessoas que tinha alvejado morreram» («A América virou à esquerda», Peter Beinart, Público, 31.01.2016, p. 19).

    Por coincidência, ainda ontem li não sei onde que caucus era uma «reunião pública», e, é claro, torci o nariz.

 

[Texto 6584]

Helder Guégués às 13:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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31
Jan 16

Circo Máximo

O nome o diz

 

      «Uma multidão encheu ontem o Circo Máximo, antigo hipódromo romano no coração de Roma, para exigir ao primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, que desista da proposta de lei que visa reconhecer as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo e da ainda mais polémica disposição que lhes reconhece o direito à co-adopção» («Oposição a uniões gay enche Roma», Ana Fonseca Pereira, Público, 31.01.2016, p. 14).

      Hipódromo, o Circo Máximo? Acho que o nome é bem explícito: era um circo, um recinto circular para espectáculos e desportos; uma arena.

 

[Texto 6583]

Helder Guégués às 13:28 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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