05
Jan 16

Escuridão na Cidade Luz

Grande homenagem...

 

   Ainda que a nossa pese mais, a inépcia e a incúria são universais. Hoje, François Hollande inaugurou uma placa, na Rua Nicolas-Appert, em homenagem às vítimas do atentado ao Charlie Hebdo. E não é que um dos nomes — o de Georges Wolinski — foi mal escrito? Se calhar a culpa é dos Polacos, querem ver? Agora, a placa está tapada.

 

[Texto 6523]

Helder Guégués às 16:55 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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05
Jan 16

«Como se tivesse ganhado»

Por nós, ganhou

 

      «Quando saiu da água, no Moche Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, com aquele 3.º lugar, quais as primeiras palavras que recorda? E de quem foram?» É a pergunta que a jornalista Patrícia Tadeia fez, no Metro de hoje, ao surfista Vasco Ribeiro. Resposta: «Lembro-me de toda a gente na praia a aplaudir como se tivesse ganhado!» Como se tivesse ganhado. É mais difícil, pelos vistos, fazer compreender isto a quem faz da escrita, de uma forma ou de outra, o seu modo de vida.

 

[Texto 6522]

Helder Guégués às 09:40 | comentar | ver comentários (23) | favorito
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04
Jan 16
04
Jan 16

«Regulador/regulatório»

Primeira crise

 

      «As bolsas europeias foram arrastadas pela China. As bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen fecharam hoje mais cedo do que o habitual por causa de um novo mecanismo regulatório que impede flutuações muito elevadas nas cotações» (Cristina Santos, noticiário das 8 da manhã, Antena 1, 4.01.2016).

   Não há muitos dicionários que registem o vocábulo «regulatório». Mais: há dicionários que nem sequer registam «regulador». O Sr. Sacconi, por exemplo, esqueceu-se — no afã de publicar o seu dicionário — de ambos. É como diz Cláudio Moreno: o maior dos dicionários que temos em português não acolhe um terço das palavras da nossa língua. «E os outros dois terços? Estão por aí, à nossa disposição.»

 

[Texto 6521]

Helder Guégués às 09:58 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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03
Jan 16
03
Jan 16

«A primeira-ministra»

Com cataclismo, a presidente

 

      «A investigadora [Carla Martins, do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género e professora no curso de Jornalismo da Universidade Lusófona] recorda que a primeira vez que as questões de género emergiram na política portuguesa foi “em 1979, quando Maria de Lourdes Pintasilgo foi indigitada primeira-ministra” no V Governo Constitucional de iniciativa do Presidente da República António Ramalho Eanes, e “houve a abertura a dois sexos”, ou seja, “a política nacional passou a ter dois sexos”. Isto, apesar de formalmente Maria de Lourdes Pintasilgo “ainda ser chamada primeiro-ministro” na comunicação social, uma vez que se considerava que a palavra só tinha masculino» («Duas mulheres candidatas representam uma “viragem” na política portuguesa», São José Almeida, Público, 3.01.2016, p. 10).

      Como antes, na imprensa portuguesa (e na brasileira — vocês não são melhores, caros irmãos!), Indira Gandhi era «a primeiro-ministro da União Indiana». A não ser que haja um cataclismo (e não «cataclisma», como ultimamente ando a ver), não é desta que vamos ter uma presidente.

 

[Texto 6520]

Helder Guégués às 16:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Jan 16
02
Jan 16

«Cujo» e pontuação

Em 2016, não faça isto

 

  «Os doentes, cujas células não fabricam uma proteína chamada “distrofina”, sofrem uma degenerescência muscular progressiva que acaba por os confinar a uma cadeira de rodas por volta dos 10 anos e os condena a uma morte prematura, em geral antes dos 30 anos, devido muitas vezes a insuficiência cardíaca» («Nova técnica de edição genética pode permitir tratar distrofia muscular», Ana Gerschenfeld, Público, 2.01.2016, p. 26).

    Aqui está mais um mito das classes letradas e semiletradas portuguesas: o de que «cujo» é sempre antecedido de vírgula. Depende, não é? Se for uma oração relativa restritiva, como no artigo do Público, não leva. Um jornalista tem de saber isto.

 

[Texto 6519]

Helder Guégués às 16:51 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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01
Jan 16
01
Jan 16

Léxico: «roda-gigante»

Não nos tirem tudo

 

      Na Esplanada dos Pescadores, em frente ao Hotel Baía, aqui em Cascais, está uma roda-gigante. E é isto que se lê e diz por todo o lado: roda-gigante. Ontem, na SIC Notícias, uma repórter falava de Londres, junto da London Eye, outra roda-gigante. E a repórter usou o termo «roda-gigante». No entanto, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista que se trata de termo brasileiro, como faz, por exemplo, com «ônibus», «transar» ou «favela». Bem sei que não é labéu, mas para certos falantes é o suficiente para ficarem a tremer e não a usarem. Investigue-se melhor o caso e concluir-se-á que já no princípio do século XX se usava em Portugal.

 

[Texto 6518]

Helder Guégués às 13:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito