06
Fev 16

Tribunal de júri

Será que coadjuvam mesmo?

 

      «O advogado insiste: o seu cliente “não é um monstro”. Se é ou não culpado, serão os juízes a decidir — coadjuvados por um professor de Inglês, um optometrista, uma estudante e um licenciado em Gestão, que são os jurados seleccionados, após um pedido do arguido para ter um tribunal de júri» («Defesa alega que pai acusado de matar filho com facada “teve um blackout” nessa tarde», Ana Henriques, Público, 5.02.2016, p. 11).

      Não tenho bem a certeza de que «coadjuvados» seja a palavra certa, atendendo à forma como o tribunal de júri está organizado entre nós. Aguardemos a opinião dos especialistas em Direito.

 

[Texto 6601]

Helder Guégués às 11:55 | comentar | favorito

Poço de Boliqueime

Não se acredita logo à primeira

 

      «Sobre a origem do nome “Poço ou Fonte” de Boliqueime, Rui Mogo [presidente da junta de freguesia] diz: “Sempre foi poço, mas a determinada altura começaram a chamar-lhe fonte.” A passagem do lugar a “fonte” coincidiu com o período áureo do cavaquismo, gerando algumas críticas e comentários. Agora, o presidente da junta de freguesia devolveu ao povo a decisão toponímica» («Cai a fonte de Boliqueime e regressa o poço pré-cavaquismo mas fica a seco», Idálio Revez, Público, 5.02.2016, p. 15).

      A memória do povo é espantosa, realmente. Não há Memofante que o salve. Mais prometedora seria a etimologia de Boliqueime, que significa algo como... «poço abundante». Infeliz (mas oculta) redundância.

      «Eu devo ter sido a última pessoa de Portugal a saber do famoso caso da mudança de nome de Poço de Boliqueime para Fonte de Boliqueime. Um amigo escreveu-me logo na altura a relatar o sucedido. Mas usou uma linguagem de tal forma alegórica, e o assunto é de tal forma anedótico, que eu achei que ele ou estava a recorrer a umas flores de estilo bastante espertas para ilustrar as fraquezas risíveis do grande provincianismo dominante, ou estava a escrever-me depois de chegar de uma festa que acabara tarde e onde se bebera bem. Não se acredita numa coisa destas assim logo à primeira» (A Deriva dos Continentes, Clara Pinto Correia. Lisboa: Relógio D’Água Editores, 1997, p. 337).

 

[Texto 6600]

Helder Guégués às 01:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
06
Fev 16

Já não é Al-Andalus?

Mas pensemos

 

     «No vídeo, numa edição com narração em francês, duas setas castanhas penetram pelo Norte da Península Ibérica com uma mancha a estender-se sobre Portugal e Espanha, reivindicando o Alandalus, um dos objectivos do califado. E são feitas duas referências concretas às cidades espanholas de Toledo e Córdova» («Narrador do último vídeo do Estado Islâmico é de origem portuguesa», Nuno Ribeiro, Público, 5.02.2016, p. 52).

    Habitualmente, o que se lê é al-Andalus ou Al-Andalus, e não aglutinado. Embora, diga-se — e eu, que estou agora a escassos 3 quilómetros de Alcabideche, não posso esquecê-lo — em geral o artigo esteja aglutinado. Não em topónimos, mas em substantivos comuns, temos casos interessantes. Por exemplo, as variantes alfarrobeira e farrobeira, ou seja, num caso, o artigo árabe al aglutinado ao substantivo; no outro, o substantivo sem o artigo. O que nos faria desembocar em Alcorão e Corão, mas não vou por aí. Tenho de ver se encontro o artigo «Para uma romanização padronizada de termos árabes em textos de língua portuguesa» (Safa Abou-Chahla Jubran. Tiraz, São Paulo, Ano 1, p. 17-28, 2004).

 

[Texto 6599]

Helder Guégués às 00:20 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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