«Má educação» ou «má-educação»?

≈ Incivilidade

 

      «É a própria personagem quem manifesta a consciência da diferença: “As minhas lembranças começam em Benfica e dantes, quando ouvia falar de locais conhecidos delas onde eu nunca estivera, assaltava-me a impressão de entrar numa sala de cinema em que o filme se desenrolava já, obrigando-me a perguntar o que sucedera antes da minha chegada a fim de tentar entender a intriga e as personagens que pareciam representar apenas para os outros, como se a má educação do meu atraso as ofendesse” (p. 258)» (As Mulheres na Ficção de António Lobo Antunes, Ana Paula Arnaut. Alfragide: Texto Editores, 2012, p. 57).

      O livro de António Lobo Antunes que é aqui citado é A Ordem Natural das Coisas. Se acreditarmos que o excerto está bem transcrito — e eu acredito piamente, mas alguém o confirme —, temos que aquela «má educação» foi vista e revista, ponderada e reponderada várias vezes. Porque é uma edição ne varietur... Ora, parece que no Brasil tendem a escrever má-educação e em Portugal (não conheço dicionário que a acolha grafada com hífen), má educação. Se estabelecermos analogia com o sinónimo má-criação, por exemplo, chegaria ao termo com hífen. Mas devemos fazê-lo? Ainda há muito por onde simplificar.

 

[Texto 6604]

Helder Guégués às 16:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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