20
Fev 16

«Os piores possíveis»

Evidentemente

 

      «Até há pouco tempo, mais de duas mil famílias moravam ainda sob tendas — recentemente, o U. N. R. W. A. [United Nations Relief and Works Agency] construiu casas de zinco. As condições do campo, evidentemente, são as piores possível» (Palestinianos, os Novos Judeus, Helena Salem. Lisboa: Livros Horizonte, 1978, p. 67).

      O pior possível, pois claro, mas os piores possíveis. É erro que vejo com alguma frequência, e percebo porquê. Pois, mas não é expressão tão fixa que se prescinda da concordância. Uma pessoa menos alfabetizada nunca erra nestas coisas. «Sob tendas» matava de novo João de Araújo Correia. É curioso que no sítio dos Livros Cotovia, que publicou uma obra desta autora, já falecida, se lê que é autora da obra Palestinos, os Novos Judeus. Era bom, era.

 

[Texto 6636]

Helder Guégués às 20:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

Léxico: «um-dois-três»

Ainda estamos na cozinha

 

    Temos outro problema na cozinha. «Corte o pão aos bocadinhos, regue-os com o leite quente e deixe amolecer. Escorra e pique na 1,2,3. Num recipiente, misture o pão com os ovos, o açúcar, o brandy, o cacau e a Nutella» (Cozinhar com Nutella, Paola Balducchi. Tradução de Ana Lourenço. Alfragide: Quinta Essência, 2014, p. 58).

     Já vi escrito das mais desvairadas formas. Escrever 123 não convém, porque se é levado a ler, apesar de se saber que se trata de uma picadora (≈ trituradora), «cento e vinte e três»; a versão 1 2 3 não é muito melhor; 1,2,3 é melhor, mas não perfeita, porque falta o espaço depois de cada vírgula; escrever 1-2-3 já é melhor, mas como ia ser dicionarizada? Proponho então um-dois-três.

 

[Texto 6635]

Helder Guégués às 18:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
20
Fev 16

«Cogumelos portobelo»

Aceitamos

 

      Ora aqui está uma boa receita de empada de carnes de caça, ervas e cogumelos. E que cogumelos? Ei-los: «100 g de cogumelos portobelo» (Papa-Quilómetros, Ljubomir Stanisic. Alfragide: Casa das Letras, 2011, p. 311). E, de facto, porque havemos de escrever «portobello»? Ao que parece (mas há outras hipóteses, como podem ver aqui), a designação provém de Portobello Road, em Londres. Para os tornar mais apetecíveis, alguém se lembrou, na década de 1980, de dar ao Agaricus bisporus esta designação comercial. Depressa a maiúscula inicial foi trocada por minúscula, o que está muito bem. Pouco depois, passou também a ser portobella, portabello, etc. O nome comum recomendado em inglês é cultivated mushroom, completamente desenxabido, não é? Portanto, ainda que não fosse intencional, Ljubomir Stanisic está de parabéns. Sim, mesmo que seja gralha e saibamos que quase todos preferem ser chefs e não chefes. Será doravante portobelo, e, como não fico nunca pelas teorias, acabei agora mesmo de o usar com esta grafia numa revisão.

 

[Texto 6634]

Helder Guégués às 17:26 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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