14
Mar 16

As lésbicas e os lésbicos

Era o século VII a. C.

 

   «É às costas da ilha grega de Lesbos que mais refugiados têm chegado, ao ritmo de mais de 2000 por dia. E aqui têm sido bem recebidos pelos habitantes locais. “Chamam-lhe a ‘ilha da solidariedade’”, diz Christina Velentza, uma advogada grega, especialista em direito dos refugiados» («E se a Europa fosse mais como “Lesbos, a ilha da solidariedade”?», Clara Barata, Público, 14.03.2016, p. 24).

    Sem medo, Clara Barata, sem medo: os lésbicos. Em Portugal é que só há lésbicas, mas na Grécia, e em especial em Lesbos, também há lésbicos. Ou, vá lá, lesbianos. A safada da Safo é que tem a culpa deste enviesamento. Tríbade. Safista.

 

[Texto 6683]

Helder Guégués às 23:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «copo menstrual»

PAN, PAN, queijo, queijo

 

      Graças ao deputado do PAN, de sua graça André Silva, fiquei hoje a saber que existem agora — copos menstruais! Não, sem exclamação: copos menstruais. (Se se apressarem, a minha filha já não usará nada disso, mas antes uma aplicação de telemóvel.) Vamos a contas: diz o deputado que, segundo estudos internacionais, cada mulher utiliza entre 11 e 17 mil pensos e tampões durante cerca de quarenta anos, o tempo médio do seu período fértil. Outro estudo, este português (ah, pois), concluiu que «a utilização de copos menstruais é segura para a saúde feminina». A conclusão (e porque as conclusões são cada vez mais em língua inglesa) podia ser «switch to a cup», mas não: aos copos menstruais vai ser aplicada a taxa mínima de IVA. Acometidos de uma agora já extemporaneíssima dor de corno, PSD e CDS abstiveram-se.

 

[Texto 6682]

 

copo-menstrual.jpg

 

Helder Guégués às 23:17 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Que moeda essa, o índio

Acham tudo normal

 

      Num noticiário da manhã na Antena 3, ouvi que o Ministério do Património e da Cultura de Omã anunciara a descoberta de um navio português naufragado numa ilha remota de Omã em 1503, que fazia a Carreira da Índia e estava incluído na armada de Vasco da Gama. Entre os artefactos encontrados, estava uma raríssima — só se conhece outro exemplar — moeda, chamada índio, que D. Manuel I mandara cunhar especificamente para o comércio com a Índia. É verdade que os dicionários não tratam devidamente a acepção (no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa lê-se que é a «moeda antiga alusiva ao descobrimento do caminho marítimo para a Índia, cunhada nos finais do século XV»), mas não é por isso que aqui venho, mas sim porque a locutora disse duas ou três vezes «a índio». A pessoa que estava ao meu lado apressou-se a declarar que estava certíssimo, pois subentendia-se a palavra «moeda». Ah, pois, os subentendidos... Subentendem, entendem por baixo... Nunca ouvi nem li, por exemplo, «a escudo» ou «a euro» (e se algum dia ouvir fico com a última prova de que estão todos passados dos carretos).

 

[Texto 6681]

Helder Guégués às 22:40 | comentar | favorito
14
Mar 16

«A tradução é sempre má»

Ora predicas tu

 

      De quando em quando, Frei Bento Domingues (aposto que nem 10 % — hoje estou a ser generoso, caramba — dos leitores do Público sabem o que é aquele «O. P.» que se segue ao nome) exagera: cita, com tradução sua, um trivialíssimo excerto de um artigo do L’Osservatore Romano e depois, em nota de rodapé, confessa: «A tradução, mesmo com arranjos, é sempre má.» Podia ser apenas excesso de modéstia (que, assim à primeira vista e sem um teólogo à mão, não sei se não é pecado), mas isso era se o texto não fosse o que eu já afirmei que era, trivialíssimo.

 

[Texto 6680]

Helder Guégués às 00:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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