16
Mar 16

Léxico: «autobus»

No caso, autocarro

 

      «No entanto, circulam os automóveis e os autóbus como em qualquer capital europeia, embora rodem por artérias ora asfaltadas ora de lageado desigual, quando não são caminhos lamacentos nesta quadra das chuvas» (Chalom!... Chalom!... Uma Reportagem na Palestina, Jaime Brasil. Porto: Editorial «O Primeiro de Janeiro», 1948, «Colecção Arco-Íris», p. 29).

    Nunca antes a lera a não ser nos dicionários, e nem é exactamente assim, mas autobus, que está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa não o acolheu.

  

[Texto 6691]

Helder Guégués às 23:59 | comentar | favorito
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Léxico: «hassídico»

Pobres leitores, pobres ouvintes

 

      «Um pavilhão encheu-se para assistir à união entre o neto do rabi Yosef Halberstam, líder religioso da dinastia Sanz Hasidic e a neta do patrono da dinastia Toldos Avraham Yitzchak Hasidic» («Milhares assistem a casamento judaico ultra-ortodoxo», TSF, 16.03.2016).

   «Dinastia Sanz Hasidic», «dinastia Toldos Avraham Yitzchak Hasidic»... O pobre leitor fica desamparado, como sempre. Já se se escrever «dinastia hassídica Sanz» e «dinastia hassídica Toldos Avraham Yitzchak», o leitor vai certamente ter curiosidade em saber o que significa hassídico. E irá longe, irá descobrir uma história digna de ser conhecida. Aproveite agora o jornalista e procure também saber um pouco mais. Curiosamente, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa não regista nem «hassídico» nem «hassidismo».

 

[Texto 6690]

 

hassídico.jpg

 

Helder Guégués às 23:50 | comentar | favorito
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Em árabe é سوق, pois...

Afinal, também temos

 

      «A cidade, tìpicamente árabe, é rica de pinturesco. Atravessámos o suco, o mercado ainda movimentado e vibrante de vozes guturais, e fomos ter, ao fundo de uma viela, a certa pastelaria famosa por fabricar um doce ao qual o nosso companheiro deu o nome que deve ser o meio termo entre swing e suíno» (Chalom!... Chalom!... Uma Reportagem na Palestina, Jaime Brasil. Porto: Editorial «O Primeiro de Janeiro», 1948, «Colecção Arco-Íris», p. 24).

    Parece um aportuguesamento nascido da imaginação de Mário Zambujal. Já vi suq, souq... Habitualmente, porém, usam-se as grafias souk e suk (ou não tivessem k). Se se procurar bem, em autores mais antigos ler-se-á também çuq. Em castelhano é zoco. Em catalão, soc. Em Moçambique, ao mercado e à feira também se dá o nome de soco, mas parece que veio do suaíli soko. De as-sóq, como todas as precedentes, em português engendrámos azoque e açougue. O Dicionário da Real Academia Espanhola diz que é, em Marrocos, mercado. Só em Marrocos? Nos dicionários de catalão, lê-se: «En els països àrabs, mercat.»

 

[Texto 6689] 

Helder Guégués às 22:02 | comentar | favorito

Uma acepção de «índice»

Outra desaparecida

 

    «Citamos isto [um nacionalista hebreu, Dove Groner, condenado à morte] como índice da atmosfera local» (Chalom!... Chalom!... Uma Reportagem na Palestina, Jaime Brasil. Porto: Editorial «O Primeiro de Janeiro», 1948, «Colecção Arco-Íris», p. 24).

   Esta é acepção que também desapareceu de quase todos os dicionários. Também é indicador, sinal, indício — índice — de alguma coisa.

 

[Texto 6688]

Helder Guégués às 21:05 | comentar | favorito
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Uma acepção de «prática»

Da náutica

 

      «Aproxima-se um rebocador da polícia do porto [de Haifa], de onde comunicam, com certo nervosismo, só poder ser dada livre prática ao barco no dia seguinte» (Chalom!... Chalom!... Uma Reportagem na Palestina, Jaime Brasil. Porto: Editorial «O Primeiro de Janeiro», 1948, «Colecção Arco-Íris», pp. 21-22).

   Não sei se está certo, mas uma das acepções de prática, no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, é «licença dada aos marinheiros para comunicarem com terra».

 

 

[Texto 6687]

Helder Guégués às 20:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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16
Mar 16

Léxico: «pogrome»

Acho bem

 

      Já uma vez andei a rastrear os termos que nos vieram do russo, que não são muito poucos. Entre eles, porém, não estava este de que vou falar agora, pois ainda não o tinha encontrado aportuguesado. Aliás, o termo é iídiche, mas chegou-nos pelo russo. «Esse homem [Theodor Herzl] de coração generoso e imaginação ardente, confrangido com a violência dos pogromes de que eram vítimas os Judeus, na Rússia, na Polónia e até na Alemanha, alvitrou que só a criação de um Estado judeu, na Palestina, onde se acolhessem os exilados israelitas que o desejassem, poderia acabar com a grande iniquidade» (Chalom!... Chalom!... Uma Reportagem na Palestina, Jaime Brasil. Porto: Editorial «O Primeiro de Janeiro», 1948, «Colecção Arco-Íris», p. 15).

    Normalmente, é shalom que se lê. Chalom, ao que me parece, é «sonho». Pode ser que algum hebraísta aqui venha e nos ajude.

 

[Texto 6686]

Helder Guégués às 20:32 | comentar | favorito