08
Abr 16

Estrume ou esterco?

Queremos saber

 

      «Chegaram à camada que correspondia a uma datação de há 2200 anos. Era um pedaço de terra mais escuro, mais denso. Analisaram. Tinha sinais de contaminação e vestígios de dejectos de animais, muito superiores ao que é provável encontrar num “chão normal”. Em vez de um limite máximo de 5% dos vestígios do ADN de um grupo de bactérias anaeróbicas (Clostridia) que é característica do estrume de cavalo, encontrou-se ali (e só naquela densa fatia de terra) mais do dobro, cerca de 12%» («Por onde é que Aníbal atravessou os Alpes com o seu exército há mais de 2000 anos? O estrume denunciou-o», Andrea Cunha Freitas, Público, 8.04.2016, p. 28).

      Foi o estrume que denunciou a passagem de Aníbal Barca — ou terá sido o esterco? É que não é o mesmo, Andrea Cunha Freitas. Veja se se diz excrement ou manure...

 

[Texto 6735]

Helder Guégués às 11:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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E «amiúdo», para onde foi?

Uma pobreza consentida

 

      Outra vez sobre «amiúde». Variante é amiúdo, que se lê em muitas obras e Bluteau regista, mas que, entretanto, vá-se lá saber porquê, desapareceu dos dicionários. Uma coisa são as mudanças ortográficas, outra é excluírem-se variantes. Variantes e ortografia que já foram amehude, ameúde, amúdo, amyúde, amiúde, amiúdo, a miúde, a meúde, a miúdo, a meúdo...

 

[Texto 6734]

Helder Guégués às 10:13 | comentar | favorito

Léxico: «benzodiazepina»

Ficam prescritas

 

      «Usadas para controlar a ansiedade e combater as insónias e sintomas de pânico, as benzodiazepinas vieram substituir os barbitúricos (calmantes) a partir dos anos 60 do século passado, por causarem menos efeitos secundários e menor dependência. As benzodiazepinas são mais seguras do que os barbitúricos, porque em sobredosagem habitualmente não são letais» («Sucessores dos barbitúricos», Público, 8.04.2016, p. 11).

    Anos 60... Não chegaram ao Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, publicado em 2001.

 

[Texto 6733]

Helder Guégués às 10:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Amiúde, confusões graúdas

Estou a ver...

 

      A propósito de «amiúde». Em 2009, uma consulente fez esta pergunta ao Ciberdúvidas: «É correcto eu dizer “Eu facturo amiúdo” quando quero dizer que faço facturas de pequeno valor?» Resposta do consultor Carlos Marinheiro: «Em primeiro lugar, não é "amiúdo", mas, sim, amiúde. Depois, o advérbio amiúde significa “repetidas vezes, com freqüência, a miúdo” [in Dicionário Eletrônico Houaiss]. Assim, «eu fa{#c|}turo amiúde [ou a miúdo]» quer dizer «eu fa{#c|}turo frequentemente» (pequenos ou grandes valores).» Isto de falar-se em alhos e responder-se em bugalhos leva longe, leva.

 

[Texto 6732]

Helder Guégués às 09:07 | comentar | favorito
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«Leio-o amiúde»

Cem vezes

 

      «Conheço o Augusto Seabra desde os meus tempos de juventude (esta é a minha declaração de interesses). Raramente o vejo, mas leio-o amiúdas vezes. Como muitos dos portugueses que lêem jornais» («Trump no Largo das Duas Igrejas?», Luís MergulhãoPúblico, 8.04.2016, p. 49).

      Conhece menos bem a língua, ao que parece. Ou escreve «amiudadas vezes», se prefere um adjectivo, ou «amiúde», sem «vezes». Vá, cem vezes.

 

[Texto 6731]

Helder Guégués às 08:55 | comentar | favorito
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08
Abr 16

Um desleixo quotidiano

Público e notório

 

      «O mesmo profissional de saúde vai mais longe: “Há pessoas que aparecem aqui e dizem ‘Sou transexual, quero mudar de nome’. Depois não são e nós não passamos [o relatório] e ficam muito zangados. São travestis, doentes mentais”.
 Mesmo assim, metade dos profissionais de saúde entrevistados mostraram-se favoráveis ao afastamento dos médicos do reconhecimento legal da identidade de transsexuais e transgénero - tal como já sucedeu na Argentina, na Dinamarca, em Malta e na Irlanda. Chamam-lhe o princípio da autodeterminação - que, segundo os autores do trabalho do ISCTE, vai de encontro às recentes mudanças no paradigma clínico internacional, que limitam os diagnósticos sobre quem quer mudar de género no registo civil à descrição de uma experiência de sofrimento clinicamente relevante, e não à sua identidade» («Há quem enfrente ilegalidades quando muda de sexo no Registo Civil», Ana Henriques, Público, 8.04.2016, p. 14).

      Ana Henriques, se relesse pelo menos uma vez o que escreve, estas pequenas coisas saíam melhor. É para nós escolhermos? Está bem: é transexual. Procure saber a diferença entre hífenes e travessões. E o princípio da autodeterminação vai mesmo de encontro às mudanças no paradigma clínico internacional ou será que vai ao encontro dessas mudanças?

 

[Texto 6730]

Helder Guégués às 08:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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