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Abr 16

Léxico: «trasfogueiro»

No antiquário

 

      O antiquário quis vender-me um transfogueiro (que tem mais duas variantes: trasfogueiro e tresfogueiro) de ferro forjado, que diz datar do século XVIII. Ou XIX, não sabe bem. É uma peça de ferro (também há de pedra) a que se encostam as achas na lareira. Os Espanhóis chamam-lhe morillo — e nós, que queremos ser originais, também lhe chamamos morilho. O nome provém de alguns serem adornados com figuras de mouros. São sempre aos pares, e raramente são iguais, porque ao longo do tempo cada membro de um casal trazia um de casa dos pais.

 

[Texto 6751] 

Helder Guégués às 21:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Tradução: «foot soldier»

Rua acima, rua abaixo

 

      Diz o fotojornalista João Garcia: «Do ponto de vista profissional, não. Sou um foot soldier — um soldado raso — que acredita na sua missão» («“O salvo-conduto que nos era dado pela profissão não existe mais”», João Pedro Pereira, Público, 16.04.2016, p. 29).

      João Garcia, como luso-sul-africano, há-de ser um perfeito bilingue, mas será que a foot soldier equivale o nosso soldado raso? Pelo que vejo, foot soldier é o soldado de infantaria. E que dizem os nossos dicionários sobre «soldado raso»? Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «militar que ocupa o posto mais baixo da hierarquia do Exército ou da Força Aérea»; para o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, é o «soldado que não tem habilitações para outra gradução». Falta, a ambos, o sentido figurado, usado todos os dias. Mas sim, foot soldier também é — além da prostituta que perambula rua acima, rua abaixo1, em busca de clientes, na gíria — «a person likened to an infantryman especially in doing active and usually unglamorous work in support of an organization or movement».

 

[Texto 6750]

 

 

      1 E a propósito, ouçam aqui Alcino Teles do Fundo cantar Rua acima, rua abaixo. Curioso o uso, como em muitas canções populares, do mais-que-perfeito simples.

Helder Guégués às 11:33 | comentar | favorito
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16
Abr 16

Uma F8 portuguesa

É o fado

 

   «Esta semana, na conferência anual F8 (cujo nome, em inglês, se lê “fate”, ou seja, destino), Zuckerberg apresentou planos para mudar o relacionamento das empresas com clientes e para ligar cada vez mais partes do mundo à Internet» («A figura. Mark Zuckerberg», João Pedro Pereira, Público, 16.04.2016, p. 21).

    Pois com certeza, mas, passim, aqui e ali, lê-se que a pronúncia é eff eight. Conclusão? Lê-se das duas maneiras — mais uma, e a que devemos preferir: efe oito.

 

[Texto 6749]

Helder Guégués às 11:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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