Ainda o cartão de cidadão

E a gramática

 

      «Alterar designações por recomendação legislativa em função da valorização moral de convenções gramaticais muda alguma coisa? A propósito do cartão de cidadão, em artigo no Diário de Notícias, Fernanda Câncio acha que sim, porque “o simbólico é muito importante”. A ideia da gramática não ser isenta de semântica não é nova. Contudo, a ideia de regular simbolicamente o significado da gramática legislando afigura-se questionável» («Simbólica é a semântica e não a gramática», Nuno David, Público, 25.04.2016, p. 47).

      É disso que se trata, «regular simbolicamente o significado da gramática», quando se pede que a designação do cartão de cidadão seja alterada? Não é demasiado rebuscado? Não lhe atribuo nenhum efeito prático nem tão-pouco simbólico, o que não quer dizer que desvalorize outras consequências, nomeadamente a veleidade de ser a lei a regular tais questões. (E, já que se trata de questões linguísticas, não seria melhor descontrair? «A ideia da gramática não ser isenta de semântica não é nova.» ↦ «A ideia de a gramática não ser isenta de semântica não é nova.» O que é diferente disto: «A ideia da gramática emergente foi formulada inicialmente por Sankoff/Brown (1976)» [Nova Gramática do Português Brasileiro, Ataliba Teixeira de Castilho. São Paulo: Fapesp, 2010, p. 139].)

 

[Texto 6768]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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