07
Mai 16

Promessas e malogros

Rentes de Carvalho, uma promessa?

 

      Lembram-se do «malogrado jornalista» que morrera pacificamente na sua cama aos 91 anos? Hoje temos algo semelhante: «Hoje com 86 anos, Rentes de Carvalho
 é uma das sólidas promessas da literatura nacional, a que continua a dedicar o seu cuidado: O Meças foi publicado este ano e é uma história de memórias descobertas num tempo marcado pela violência. É sempre na narrativa do quotidiano, das agruras, de esperanças, do cruzamento de vários mundos, que Rentes de Carvalho melhor se destaca na escrita meticulosa e contida» («Rentes de Carvalho e a rebeldia», Francisco Louçã, Público, 7.04.2016, p. 55).

 

[Texto 6796]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Léxico: «piastra»

E se for uma nota?

 

      Ofereceram-me uma bonita nota de 50 piastras egípcias. E que diz o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora sobre piastra? Diz que é a «moeda de prata, de valor variável conforme os países onde circula». A sério? A definição do Dicionário Aulete sofre do mesmo mal. O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa nem sequer a regista. A 1.ª edição, que a 2.ª já o acolhe. E nos restantes dicionários? Ah, essa é tarefa que deixo aos meus queridos leitores, não posso deixá-los muito folgados, não é?, ficam logo com más ideias.

 

[Texto 6795]

Helder Guégués às 17:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «Pirenéus»

E um erro persistente

 

      «O túnel de Somport, que atravessa os Pirinéus, tem 8,8 km e termina em França» («Tudo o que precisa de saber sobre o túnel do Marão», Abílio Ferreira, Expresso Diário, 6.05.2016).

      É um erro de sempre e, já agora, para sempre, mas que ultimamente tenho visto menos. Cá está ele de novo, o que demonstra que temos de continuar.

 

[Texto 6794]

Helder Guégués às 08:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Intimar/intimidar»

Uma confusão persistente

 

      Lia Pereira anda pela cidade com o propósito expresso de tentar encontrar situações dignas de interessar os leitores do Expresso Diário. Às vezes consegue. Neste caso, é «... e mal ponho um pé fora do táxi, cai-me em cima um arrumador que me intimida a dar-lhe “uma moeda! Uma moeda! Anda lá, ando aqui a arrumar carros... e está tudo a ver o Benfica!”» («Boca do povo», Lia Pereira, Expresso Diário, 6.05.2016).

      Os sem eira nem beira até podem intimidar (mas ameaçá-los costuma ser eficaz), só que a jornalista, que deve ter ficado perturbadíssima com este mau encontro, confunde intimidar com intimar, confusão a que já estamos habituados. Intimidar é inspirar receio, medo ou temor a; amedrontar. Para seres muitas vezes desesperados, não há-de ser difícil. Não há dúvida de que, com uma intimação, se consegue intimidar uma pessoa. Em latim, intĭmo,as,āvi,ātum,are é fazer algo penetrar. Só em sentido figurado é que significa fazer algo (uma ordem) penetrar no espírito de outrem; interpelar; notificar. Quem nos dera fazer penetrar na mente de muitos esta diferença.

 

[Texto 6793]

Helder Guégués às 07:42 | comentar | favorito
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07
Mai 16

Só falta a revisãozinha

Bela prenda

 

      «O seu populismo anti-Washington, anti-globalização, anti-comércio livre, anti-estrangeiro vêm desta corrente “liberal” (esquerda)» («Trump e BE vêm do mesmo sítio», Henrique Raposo, Expresso Diário, 6.05.2016).

      Começou bem — anti-Washington —, mas desembestado por ali fora, a ortografia ressentiu-se, pois é antiglobalização, anticomércio e antiestrangeiro que se escreve. E ninguém dá uma mãozinha. Ora, com dois anos, parabéns, o Expresso Diário devia saber que há indivíduos cuja profissão, e, em alguns casos, missão neste vale de lágrimas, é endireitar um pouco as frases. Não chegam a tudo, mas não raro fazem milagres ao evitarem que até os muito geniais façam coisas muito bestiais.

 

[Texto 6792]

Helder Guégués às 07:17 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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