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Linguagista

O filho do czar

Muito prazer

 

      Temos czar, temos czarina... e o filho? O Sr. Sacconi só se lembrou do primeiro, do pai. Que miséria. Em alguns dicionários brasileiros podemos encontrar czaréviche. O Dicionário Houaiss (2003) acolhe czar, czarina, czarevna, czarévitche. Agora «csarevitch» não me soa...

 

[Texto 6834]

Tradução: «fougère grise»

Nem digo

 

      As janelas estavam tapadas com fougères grises. O que é, o que não é, parece-me mal traduzido. Os Neozelandeses (ou serão apenas alguns políticos?), que já não se revêem na Union Jack, querem uma nova bandeira, e por isso realizou-se recentemente um referendo. Lê-se no jornal francês La Tribune: «Le nouvel emblème qui devrait être soumis au vote met en avant la fougère grise, un symbole national, et ne comporte pas d’Union Jack souvent vu comme une “relique coloniale”.» A fougère grise, ou fougère argentée, tem como nome científico Cyathea dealbata, de nome comum feto-prata-arbóreo ou feto-prateado, endémico na Nova Zelândia. E é isto, em todo o lado espreita o erro.

 

[Texto 6833]

Papiros de Oxirrinco

Amor, sexo e... Oxyrhynchus?!

 

      Se envolve sexo, vou ter muitos leitores. Tarados. Publicado no Observador há duas horas: «Dois papiros de um lote de centenas, encontrados há mais de 100 anos em Oxyrhynchus, no Egito, revelam feitiços com o objectivo de conquistar o amor e submeter alguém aos seus desejos» («Papiros com 1700 anos revelam feitiços de amor e sexo», Elsa Araújo Rodrigues, aqui). Cara Elsa, acha mesmo que é preciso tornar a coisa tão grega, tão negra? Em português recomendável é Oxirrinco. Peça desculpa e aponte.

 

[Texto 6832]

Tradução: «cité fermée»

E que significa isso?

 

      Ali estavam eles, junto da «cité fermée du Kremlin». «Cidade fechada do Kremlin», verte o tradutor. Mas alguma vez se disse assim em português? Não é fortaleza (aliás kremlin, Кремль, nome comum, é isso que significa) ou cidadela?

 

[Texto 6831]

Adeus, «presidenta»

Com Temer sem temor

 

      O ex-vice decorativo do Brasil, e agora presidente interino, Michel Temer, está a trazer uma nova esperança, quando não aos cidadãos, pelo menos à língua portuguesa. Nas duas ocasiões em que falou publicamente, na posse e na entrevista ao Fantástico, usou a desusada tmese — sê-lo-ia — e uma invulgar dezena de vezes a ênclise — aposentar-se, casaram-se, permita-me, apresentaram-me, dar-se, tornou-se, exerçam-no... —, fazendo-nos esquecer Dilma Rousseff, que falava como qualquer desgraçadinha das favelas.

 

[Texto 6830]