29
Mai 16

«Contacto», Sandra Azevedo

Não há esperança

 

      «Cheguei com os pés bem assentes na terra e com quatro malas. Era eu nova na cidade. O primeiro contato com a cidade tornou-se repetitivo no primeiro dia» («Ninguém me disse», Sandra Azevedo, Jornal do Fundão, 26.05.2016, p. 12).

      Como é que uma aluna de mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior cai num erro tão grosseiro? Ainda não reflectiu nem leu nada sobre esta questão?

 

[Texto 6845]

Helder Guégués às 15:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O verbo «remediar»

Culta e adulta?

 

      «O incrível mundo dos micróbios», anunciava ontem a RTP2 em alguns jornais. E porquê incrível? Ora, porque os micróbios, garantem-nos, e quem o quisesse comprovar que visse o programa Biosfera, «detetam metais pesados, remediam solos e biofertilizam as plantas». Eu nem sabia que os micróbios mediam os solos, quanto mais que os voltavam a medir. Ah, queriam dizer «remedeiam», do verbo «remediar»? E será mesmo o melhor verbo para expressar a ideia? Não seria melhor «corrigir», por exemplo? Teria pelo menos a vantagem de (talvez, porque há sempre margem para o erro) não errarem a forma verbal.

 

[Texto 6844]

Helder Guégués às 14:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Trava-portas»?

Uma cunha cara

 

      «Uma cunha para segurar as portas com apenas uma palavra escrita no topo. “Hodor”» («Um trava-portas chamado Hodor. Será cedo demais?», TSF, 26.05.2016).

      Sim, cunha ou calço. Nunca antes vi trava-portas, que só pode ser o nome que lhe dá alguém que não conhece o nome do objecto. Ou foram atrás do inglês — doorstop —, como sucede tantas e tão desnecessárias vezes. O conceito de batente (vejam aqui do que se trata) é outra coisa, e, curiosamente, não encontro a acepção nos dicionários. E uma cunha vai para o Kickstarter?

 

[Texto 6843]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «anamorfose»

Enganador

 

    «Tem-se revelado popular para o Instagram, para os turistas e parisienses que, desde quarta-feira, passam pela muito fotografada entrada do Museu do Louvre e, à primeira vista e conforme o ângulo, parecem ser confrontados com o desaparecimento da pirâmide de vidro que ali mora desde 1989. A magia do trompe l’oeil, da anamorfose e a ideia do street artist e fotógrafo JR, autor de murais interventivos com fotos de grandes dimensões em várias cidades, fizeram “desaparecer” um dos marcos da capital francesa» («A pirâmide do Louvre desapareceu», Joana Amaral Cardoso, Público, 28.05.2016, p. 56).

    Será que se designa mesmo por anamorfose o método usado? Se consultarmos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não me parece: «deformação da imagem de um objecto mediante um sistema óptico». Já se consultarmos o Michaelis, parece que sim: «Imagem produzida por um sistema óptico deformador ou por outro método que a torna irreconhecível, a não ser que seja vista de um certo ângulo ou por um dispositivo reconstituinte.» Em conclusão, há muito por onde melhorar os dicionários.

 

[Texto 6842]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
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Léxico: «pensão alimentar»

Haja variantes

 

      «Segundo um porta-voz do Tribunal de Los Angeles contactado pela AFP, “o juiz emitiu uma ordem” a pedido da actriz, de 30 anos, que proíbe Johnny Depp de se aproximar dela a menos de 90 metros. A actriz, que se apresentou ontem no tribunal com nódoas negras na cara, pediu o divórcio e uma pensão alimentar no início desta semana depois de 15 meses de casamento» («Depp acusado de violência doméstica e proibido de se aproximar da mulher», Público, 28.05.2016, p. 56).

     Muito mais comum é pensão de alimentos, mas bom é que haja variantes e que sejam conhecidas para se usarem.

 

[Texto 6841]

Helder Guégués às 09:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Mai 16

Léxico: «videoárbitro»

Neologismo à vista

 

      «Na corrida a um segundo mandato na presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, sem rival nas eleições que vão decorrer a 4 de Junho, revelou que na Supertaça de 2016, e a partir dos quartos-de-final da Taça de Portugal da próxima época, será feita a implementação do videoárbitro, ainda que a título experimental» («Fernando Gomes promete videoárbitro na Supertaça e na Taça de Portugal», Tiago Pimentel, Público, 26.05.2016, p. 41).

 

[Texto 6840]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Mai 16
28
Mai 16

Como se escreve

Nos jornais

 

   «Eu sei que dá certa panache percorrer a Mouraria de tuk-tuk enquanto se escuta o muezim no alto do minarete» («Uma mesquita na Mouraria», João Miguel Tavares, Público, 26.05.2016, p. 48).

    E João Miguel Tavares já pensou em mandar traduzir isto para português? Teria, bem sei, uma grande desvantagem: toda a gente ia perceber. Isso é mau.

 

[Texto 6839]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
27
Mai 16
27
Mai 16

Como se traduz

Isto não é normal

 

    A personagem disse qualquer coisa «d’une voix assourdie». Que acham que saiu da cabeça do tradutor? Claro que não adivinham. Foi «numa voz controlada»! E de outra que tinha «un éclair mat dans le regard» o tradutor achou que o melhor era dizer que tinha «um brilho controlado no olhar», pois claro. Já aqui vimos, e mais de uma vez, outros casos em que no original não está nada que se pareça, mas os tradutores concluem que é a que melhor traduz a ideia. Não se enxergam.

 

[Texto 6838]

Helder Guégués às 07:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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