08
Jun 16

Tradução: «masure»

Qual a solução?

 

   O Dicionário de Francês-Português da Porto Editora diz-nos que masure é «casebre, pardieiro»; outros há que não dizem coisa muito diversa. «Casinhoto», lê-se noutro. Ora, a verdade é que na região de Caux se dava o nome de masure a qualquer «habitation rurale; ensemble de bâtiments d’une exploitation agricole». Todos os termos propostos — casebre, casinhoto, choupana — trazem associada uma ideia de precariedade/falta de qualidade que não está no termo francês.

 

[Texto 6875] 

Helder Guégués às 21:33 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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As nossas rodrigas

Ridícula

 

      E a propósito de latim (esqueçam lá a professora): sabiam que à estaca que sustém uma planta se dava em latim o nome de ridicŭla? É o diminutivo de ridīca, com o mesmo significado. A glote dos nossos vizinhos transformou isto em rodriga. Ora, em certas zonas do nosso país, também se dá o nome de rodriga à estaca para feijoeiros ou videiras, e à rodriga alta dá-se o nome de rodrigão. É claro que lhes surripiámos os nomes. Não vale por Olivença, mas paciência.

 

[Texto 6874]

Helder Guégués às 20:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Numeração romana

Pobres alunos

 

      Com que então a professora não aceitou que a criancinha representasse o 4 na numeração romana por IIII... «O teu pai pode andar lá pela Internet a ver, mas isso está errado.» Ah, sim, minha espertalhona? Aprendi o meu latinzinho, e fiz algumas leituras, e estou bem certo de que é assim. Até recentemente, aliás, isto mesmo se podia ler em modestíssimas gramáticas de uso escolar, mas agora, pelos vistos, a ciência já é outra. Como ensina o erudito João Pedro Ribeiro, os «Romanos para significar 4 não usavam IV; mas IIII; e para nove VIIII; e do 8.º século se acham exemplos de IIIII». Se há duas formas de representar alguns algarismos na numeração romana, os professores não podem deixar de aceitar ambas. Evidentemente, primeiro têm — é sua obrigação — de aprender.

 

[Texto 6873]

Helder Guégués às 19:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Não vejo nenhum acrónimo

Não estou a ver

 

    Das cartas à directora do Público, respigo estas linhas do leitor Fernando Cardoso Rodrigues, do Porto: «Seguindo a linha de raciocínio (?) de JRS [José Rodrigues dos Santos], podia perguntar: como acham que o tandem “social cristão” foi ali parar? Será que os acrónimos valem alguma coisa? Será redundante dizer que o PSD (Partido Social Democrata) português tem muito pouco ou nada do que a sigla sugere, não acham?... As palavras, sempre as palavras e tudo aquilo que com elas pretendemos, mesmo que seja a aleivosia de J.R.S.!...» («O acrónimo diz o que o partido é?...», Público, 8.06.2016, p. 44).

    Esqueçamos o «tandem». A que acrónimos se refere o leitor? Esta questão, pelos vistos, só serve para dizer disparates, como o sufixo «socialismo»...

 

[Texto 6872]

Helder Guégués às 11:54 | comentar | favorito
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08
Jun 16

«Prestar queixa»?

Não dizemos dessa maneira

 

    «Vários meios de comunicação avançaram que as autoridades não iriam prestar queixa de negligência contra os pais do menino, mas a polícia de Hocaido ainda não confirmou esta notícia» («Menino japonês desaparecido saiu do hospital», Diana Bouça-Nova, RTP, 7.06.2016).

     Ao que creio, é no Brasil que se diz assim, prestar queixa, talvez por influência do inglês press charges. Entre nós, nunca li ou ouvi senão apresentar/fazer queixa. Esperemos que o menino Yamato Tanooka, os seus pais e a jornalista aprendessem a lição. 

 

[Texto 6871]

Helder Guégués às 06:57 | comentar | ver comentários (3) | favorito