28
Jun 16

Prefixo co-

Dobra a consoante

 

      «E para que se mantivesse a maldição diante do cosselecionador da Islândia, o milagreiro Lars Lagerbäck (a quem nunca conseguira ganhar, em seis encontros anteriores)» («Adeus[,] Inglaterra: a epopeia da Islândia tem um novo capítulo», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 46).

      É um horror, mas está certo: cosselecionador. Para que permaneça o som do vocábulo original, a consoante dobra. Como correferência, correlação, corresponsabilidade, corréu, cossecante, cossegurador, cossignatário...

 

[Texto 6917]

Helder Guégués às 23:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Brexit, mexit...»

Tópicos de conversação

 

      «Após o anúncio, seguindo o apelo lançado pelo diário desportivo Olé, com as hashtags que se tornaram virais, adeptos e velhas glórias do futebol argentino (e de todo o mundo), logo começaram a pedir ao jogador que reconsidere o mexit — como a saída já é chamada, à imagem do brexit» («#NoTeVayas. O mundo pede a Messi que adie a despedida da Argentina», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 49).

 

[Texto 6916] 

Helder Guégués às 23:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Observação de aves»

A mesma lógica

 

      «O desenvolvimento turístico está a ocorrer numa lógica de pequenos nichos de mercado, como a exploração das rotas gastronómicas, bird watching (observação de pássaros), passeios de barco e barcos-casa para alugar ou observatório de estrelas» («Estado já reouve dinheiro investido no maior lago europeu», Carla Aguiar, «Especial»/Diário de Notícias, 28.06.2016, p. IV).

      A mesma lógica, ou falta dela, e a mesma desnecessidade. Aliás, não é observação de pássaros, mas observação de aves.

 

[Texto 6915]

Helder Guégués às 22:59 | comentar | favorito
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«Perspectiva/outlook»

Ainda vão para o lixo

 

      «E podem aí vir novos cortes — a perspetiva (outlook) para a evolução da qualidade creditícia do Reino Unido é agora “negativa”» («City em risco de perder cem mil postos de trabalho», Filipe Paiva Cardoso, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 31).

      Qual a necessidade de usar também a palavra inglesa? Os leitores do DN não vão ter emprego na City. Não agora.

 

[Texto 6914]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | favorito
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«Sob/sobre»

O triste espectáculo continua

 

      «Do que a UE precisa é ganhar algum tempo e não decidir sobre precipitação retaliatória, como quer Juncker, que se prepara para vergar à humilhação um David Cameron que já não participará no segundo dia do Conselho Europeu que hoje começa» («Os meninos à volta da fogueira», Bernardo Pires de Lima, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 32).

      Diabos me levem se não é a clássica confusão entre sob e sobre, de que já dissemos tudo o que há para dizer. Isto num investigador universitário...

 

[Texto 6913]

Helder Guégués às 22:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «entas»

Por eles, então

 

      «Ainda não tinha entrado nos “entas” quando, em 2005, ascendeu à liderança dos Tories, derrotando na corrida o mais experiente David Davis e sucedendo a Michael Howard» («Cameron: o conservador “pragmático” que pode ter destruído duas uniões», José Fialho Gouveia, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 32).

      Por vezes, vê-se grafado em itálico; outras, como no artigo acima, entre aspas; já vi também antecedido de hífen: entas, «entas», -entas. Nada disso é necessário: o simples contexto torna claro do que se trata. E, se não está nos dicionários, devia estar, nem que seja para os estrangeiros que aprendem a nossa língua. «Eu até jurava que ele que já entrou nos entas, que é que julga?» (Armandina e Luciano, o traficante de canários, Olga Gonçalves. Lisboa: Editorial Caminho, 1988, p. 119).

 

[Texto 6912]

Helder Guégués às 22:01 | comentar | favorito
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Léxico: «beatlesco»

Não é grotesco

 

      «E ainda antes dos Wings, McCartney já fazia questão de dar cavalitas a Linda nas suas andanças musicais, tal como acontece com Another Day (de 1971), uma das suas melhores canções, ainda mal saída da grandiosidade beatlesca — e ainda bem» («Pure MacCartney. O músico de exceção disfarçado de normal», Gonçalo Palma, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 36).

      Nunca antes tinha lido ou ouvido. E está correcto, claro, pois o sufixo -esco acrescenta-se a substantivos como meio de derivação de adjectivos que exprimem relação ou semelhança.

 

[Texto 6911]

Helder Guégués às 21:19 | comentar | favorito
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28
Jun 16

«Quase» prefixo?

Assim não, senhores

 

      «Por outras palavras, um conjunto de superestrelas, avaliado em 477 milhões de euros, perdeu com uma equipa de quase-anónimos, avaliada em 45 milhões (dados do sítio Transfermarkt)» («Adeus[,] Inglaterra: a epopeia da Islândia tem um novo capítulo», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 46).

      Reconheço: no Acordo Ortográfico de 1990 nada encontramos sobre os elementos de composição não- e quase-, como também nada encontramos sobre a questão no Acordo Ortográfico de 1945. Nem tudo se podia prever, bem sabemos, mas não deixa de ser mais um erro na elaboração das novas regras ortográficas. Assim, a tentação para dizer que, se não está proibido, então é permitido é muito grande, mas, na verdade, a minha interpretação é a de que o espírito do acordo vai nesse sentido. Foi também o que fez, para estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo, a Comissão de Lexicologia e Lexicografia da Associação Brasileira de Letras (ABL) na 5.ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. O pior é que, ao mesmo tempo que se interpreta o texto do AO90 desta maneira, acolherem-se — por lapso? — formas em que aparece o hífen. Não pode ser. Se com o elemento quase- não há muitas ocorrências, com o elemento não- são infindáveis, e as trapalhadas são muitas.

 

[Texto 6910]

Helder Guégués às 20:56 | comentar | favorito
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