01
Jul 16

Regência nominal

Não sabem reger(-se)

 

      «Nenhum deles deixaria, se as suas cronologias fossem diferentes, de aplaudir as intervenções de Miss De Havilland nos tempos conturbados da reeleição de Roosevelt: indefetível apoiante dos Democratas, foi também uma feroz combatente ao que considerava serem a propaganda e as infiltrações comunistas. Última ironia: nesse momento de avanço público, o seu grande apoio foi um ator mediano – sejamos simpáticos – chamado Ronald Reagan» («Olivia de Havilland, 100 anos. A que o vento não levou», João Gobern, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 40).

      Não é essa a regência nominal, mas sim combatente de; logo, Olivia De Havilland «foi também uma feroz combatente do que considerava, etc.».

 

[Texto 6928]

Helder Guégués às 23:59 | comentar | ver comentários (3) | favorito

Chamam-lhe igualdade

Mas não para mim

 

      «Passada a excitação dos primeiros filmes – a estreia deu-se em Alibi Ike, em 1935 –, apesar das duas produções em que fez dupla com James Cagney, que se tornaria seu amigo e mentor, e da descoberta do seu par mais repetido e notório, Erroll Flynn, com quem contracenou por oito vezes (há um nono filme em que surgem os dois mas nunca se cruzam) e que – com títulos como O Capitão BloodCarga da Brigada LigeiraAs Aventuras de Robin dos Bosques ou Todos Morreram Calçados – marcaram uma época, De Havilland começou a cansar-se do molde que os estúdios lhe reservavam: a “morena ingénua”» («Olivia de Havilland, 100 anos. A que o vento não levou», João Gobern, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 40).

      «De Havilland começou, etc.» De Havilland, Cristas, Albuquerque... Agora é assim que se diz... E por acaso não é Erroll, mas Errol Flynn. Assim foi baptizado este demónio da Tasmânia na sua Hobart natal.

 

[Texto 6927]

Helder Guégués às 23:43 | comentar | favorito

«Nos seus setentas»: cardinais por extenso

Isto é curioso

 

      «São duas senhoras nos seus setentas, impecavelmente arranjadas, na Calle Serrano, na zona onde se concentram as melhores lojas de Madrid» («“Quem vai baixar as calças?”», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 36).

      É curioso o uso do plural do numeral nestes casos. E está certo. «António chega ao tronco da árvore e dá um estalo na cara de uma senhora nos seus sessentas que se encontra amarrada» (Deus Morreu e não Fui ao Funeral, João Rosas. Lisboa: Fenda, 1999, p. 83). E não só: como lêem/escrevem por extenso esta frase? — «Quantos 20 vais tirar este ano lectivo?»

 

[Texto 6926]

Helder Guégués às 23:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Recordista de vendas»

O autor e não a obra

 

   «Toffler continuou a sua pesquisa, que levou a dois outros livros recordistas de vendas: A Terceira Vaga (1980) e Powershift (1990), sempre apoiado pela sua mulher, Heidi Toffler, que o ajudava nas pesquisas e também como editora da trilogia e coautora» («Morreu o visionário da sociedade da informação», Rute Coelho, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 25).

      Será mesmo uma alternativa ao omnipresente bestseller, como parece? Talvez não: vejo-o mais facilmente aplicado a uma pessoa do que a um livro ou disco. Assim, recordista de vendas seria Toffler.

 

[Texto 6925]

Helder Guégués às 23:02 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «descaminhar»

E está certo

 

      «Já a Judiciária confirmou que, durante as buscas, foram apreendidos “diversos bens culturais e artísticos que terão sido descaminhados de instituições públicas» («PJ descobriu móveis antigos desviados da Presidência», Carlos Rodrigues Lima, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 4).

      Está certo: descaminhar é sinónimo e variante de desencaminhar.

 

[Texto 6924]

Helder Guégués às 21:59 | comentar | favorito
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«Engineer»

Mais mental

 

    «Rob Ford, professor de Ciência Política na Universidade de Manchester, escreveu no Twitter. “Boris criou a maior crise constitucional no pós-guerra e nem sequer se chega à frente para limpar os estragos? Que besta!”» («Boris atacado por não ir a jogo nos conservadores», José Fialho Gouveia, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 34).

      Criar. No original é mais sugestivo — por isso na tradução podemos e devemos acompanhar essa diferença de matiz. «Boris engineered the largest constitutional crisis in post-war history but won’t even put his name forward to clear it up? What. A. Prat.» Engineer, no caso, é mais no sentido de arquitectar, engendrar, congeminar.

 

[Texto 6923]

Helder Guégués às 21:30 | comentar | favorito
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01
Jul 16

E agora «borexit»

Eu não disse?

 

      «E depois do brexit deu-se o borexit. Boris Johnson, principal defensor da saída do Reino Unido da União Europeia, ex-mayor de Londres e agora ex-mais-do-que-provável sucessor de David Cameron à frente do partido e do governo britânico, optou por sair da corrida à liderança do Partido Conservador» («Boris atacado por não ir a jogo nos conservadores», José Fialho Gouveia, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 34).

 

[Texto 6922]

Helder Guégués às 21:16 | comentar | favorito