29
Jul 16

Léxico: «cardã»

Corrijam, estudem

 

      Farto-me de rir com o que leio nos dicionários. Diz de cardã/cardan o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «MECÂNICA num veículo automóvel, eixo que transmite a força produzida pelo motor ao eixo de tracção, que, por sua vez, a conduz às rodas; junta universal». Não sabem o que dizem. Devemos a Girolamo Cardano (1501-76), um matemático de Pavia de barba hipster, como se diz agora por aí, este tipo de eixo — que, antes de equipar automóveis, foi usado noutros veículos. E continua a ser assim: a minha Biomega Amsterdam, que hoje trouxe de Lisboa para Cascais (desci a Avenida da Liberdade a 43 km/h), não tem corrente, mas cardã. Vejam o que regista o Oxford Dictionary: «A shaft with a universal joint at one or both ends.»

 

[Texto 6981]

 

Biomega.jpg 

Helder Guégués às 18:49 | comentar | favorito
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Léxico: «patacão»

Falta confirmar

 

      «Enquanto palmilham as ruas, padre e acólito desfiam memórias. Lembram o rebuliço no patacão, o local onde se estacionavam os cavalos e carroças, mesmo em frente ao Mercado da Ribeira. “As ruas conservam-se as mesmas. O movimento é que mudou”, diz o padre [Bernardo Xavier Félix] a Augusto. “Aqui era o centro do comércio”, reforça» («É o padre mais velho de Lisboa e pelas suas memórias vai a história da cidade», Teresa Serafim, Público, 29.07.2016, p. 12).

      Patacão? Nome comum? Nunca tal ouvi antes. Algum leitor conhecia isto?

 

[Texto 6980]

Helder Guégués às 18:12 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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29
Jul 16

Parênteses

Um dia vão perceber

 

    Aí temos o primeiro volume de seis de uma nova tradução — directamente do grego — da Bíblia, desta feita graças a Frederico Lourenço, publicada pela Quetzal.

      «É precisamente porque o texto por vezes não se entende — e porque quer ser fiel ao que foi escrito, de acordo com a versão grega — que Lourenço optou por usar muito os parêntesis rectos ao longo do texto, assinalando as palavras que estarão subentendidas. “Às vezes o grego não nos permite atribuir um sentido exacto a determinada frase. Os parêntesis permitem-me dizer ao leitor o que foi realmente escrito e o que foi acrescentado para tornar o texto inteligível.”» («A Bíblia toda e para todos», Lucinda Canelas, Público, 28.07.2016, p. 28).

      Ora muito bem. É pena muita gente — incluindo autores, editores e revisores — não perceber a diferença entre parênteses curvos e parênteses rectos.

 

[Texto 6979]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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