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Linguagista

História/história, de novo

A grande e a pequena

 

      «Churchill desmente categoricamente as teses dos historiadores marxistas que veem na história uma mera narrativa de fatores económicos abrangentes e impessoais» (O Fator Churchill, Boris Johnson. Tradução de José Mendonça da Cruz. Alfragide: Publicações D. Quixote, 2015, p. 17).

      Já tenho lamentado que, nesta acepção, não se grafe sempre com maiúscula, História, como convencionalmente se faz. No original está history, ao passo que «narrativa» está a traduzir story. Podia perfeitamente ser História/história, até porque, uns parágrafos à frente, na tradução, está isto: «Em que forjas foram forjadas a sua mente cortante e a sua vontade férrea?» (p. 18). No original, está assim: «In what smithies did they forge that razor mind and iron will?»

 

[Texto 7004]

Tradução: «upright desk»

Não me parece

 

      «O chief whip foi até Chartwell [a casa de Churchill em Kent], e foi ter com o meu avô ao escritório, onde ele estava a trabalhar junto ao ambão» (O Fator Churchill, Boris Johnson. Tradução de José Mendonça da Cruz. Alfragide: Publicações D. Quixote, 2015, pp. 14-15).

    Duvido que a tradução adequada seja «ambão». No original está upright desk. Talvez «escrivaninha». Um upright piano não é um «piano vertical»? Ora aí está. E chief whip não se pode traduzir por «chefe parlamentar», por exemplo?

 

[Texto 7003]

Rodões, cabeços, blocos...

Mares algarvios

 

   «O Centro de Ciências do Mar (CCMar), da Universidade do Algarve, elaborou o Primeiro Mapa da Toponímica dos Mares Algarvios, apresentado ontem, para mais facilmente se chegar aos bancos de pesca. Uma parte dos segredos do mar foram desvendados mas, dizem os entendidos, para se ser pescador é preciso “arte” e mais qualquer coisa» («Há uma cidade piscatória no fundo do mar algarvio, agora revelada em mapa», Idálio Revez, Público, 6.08.2016, p. 26).

   Tudo o que é, seja qual for o domínio, identificar, dar nomes às coisas é útil. No Diário Digital, lia-se isto: «Com base em mais de 200 inquéritos às comunidades piscatórias do Algarve, investigadores do CCMar criaram um mapa onde estão os nomes dados pelos pescadores a determinados mares, mas também a “rodões” (rochas isoladas), “prezuras” (locais onde se prendem as redes), “cabeços” (áreas elevadas e salientes em zonas rochosas), locais de naufrágio ou de “blocos” (recifes artificiais)» («Mapa divulga os nomes dos mares algarvios, do “Parte e Rasga” ao “Ossinho”», 5.07.2016). Porque não há-de ser «presuras», se tem que ver com presa, apresar?

 

[Texto 7002]