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Linguagista

Tradução: «radial»

Reescrevam isso, pá

 

      «Muere desangrado un hombre en Torrelaguna al cortarse con una radial», ouvi hoje de manhã na Cadena SER. Cá está, pensei logo, mais uma palavra que há-de ser muitas vezes mal traduzida. É a nossa rebarbadora (grinder, para a legião de anglófonos que nos segue), não poucas vezes usada para praticar homicídios e causa de acidentes. Rebarbadora, pois. Quem não souber o que é, pela consulta do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não vai longe: «máquina de tirar rebarbas». Mas no dicionário da Real Academia Espanhola: «Máquina provista de un disco abrasivo que gira a gran velocidad, utilizada para cortar materiales de gran dureza.» Porque é isso mesmo; agarrarem-se demasiado à etimologia não ajuda nada, neste caso, a redigir uma boa definição. E o Dicionário Houaiss (2003)? Ainda pior! Começa logo por não ter uma entrada independente, antes está no verbete «rebarbador»: «diz-se de ou apetrecho, eléctrico ou manual, us. para retirar rebarbas de metal». Esta gente alguma vez viu uma rebarbadora? Hum... Em galego também é rebarbadora.

 

[Texto 7018]

Tradução: «skin graft»

Como são parecidas...

 

   «Quando um amigo foi ferido na Guerra dos Bóeres, Churchill arregaçou as mangas e doou um excerto da própria pele para um implante, e sem anestesia» (O Fator Churchill, Boris Johnson. Tradução de José Mendonça da Cruz. Alfragide: Publicações D. Quixote, 2015, pp. 122-23).

    Mas não se diz «enxerto»? Vejamos o original: «When a friend of his was injured in the Omdurman campaign, Churchill rolled up his sleeve and provided a skin graft himself – without anaesthetic.» Quer diga respeito à botânica quer à cirurgia, graft traduz-se por enxerto. E, a propósito, a definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora está incompleta.

 

[Texto 7017]