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Linguagista

Escultura que não é estátua

Temos a imagem

 

      «Dezenas de pessoas foram decapitadas nos últimos dois anos no chamado “Círculo do Navio” em Manbij, onde há a estátua de um barco num poço raso de pedra amarela. “Penduravam as cabeças por três dias”, contava ontem um residente, rodeado de edifícios semidestruídos por semanas de violentos bombardeamentos» («Manbij anda a descoberto, fuma, dança e celebra», Félix Ribeiro, Público, 14.08.2016, p. 38).

      O jornalista está a tentar descrever isto. Será mesmo uma estátua? O que os dicionários dizem é que uma estátua é uma escultura em três dimensões que representa uma pessoa, animal ou divindade — não um objecto. Escultura, então. O «poço raso» também me suscita muitas dúvidas.

 

[Texto 7029]

Tantas são?

Exagero de poeta

 

   Diz Mendes Bota: «É provável que alguns dos discursos mais marcantes da Festa do Pontal tenham sido proferidos por algarvios. Recordo o que mais prazer me deu fazer, um discurso proferido em “algarvio” no dia 8 de Agosto de 1988. Estava Marcelo a assistir. Muitas pessoas não sabem. Não há uma língua algarvia, tão-pouco um dialecto, mas há muitos milhares de palavras que compõem o dicionário do “falar algarvio” recolhidas pelo prof. Ruivinho Brazão» («José Mendes Bota. “Estava na moda fazer-se piqueniques à sombra dos pinheiros, com sardinha assada”», Sónia Sapage, Público, 14.08.2016, p. 8).

 

[Texto 7028]

Léxico: «electroconvulsivoterapia»

Outra esquecida

 

   «A electroconvulsivoterapia — ou, usando a designação mais popular, os electrochoques — está a ser mais usada para tratar depressões graves» («Mais depressões tratadas com electrochoques», Andreia Sanches, Público, 14.08.2016, p. 18).

   Encontra-se em alguns hospitais pelo País fora — mas porventura em nenhum dicionário. Por vezes, também se usa a variante electroconvulsoterapia.

 

[Texto 7027] 

E a cultura geral?

De estarrecer

 

      «Na sequência deste acidente, o condutor do veículo pesado, um homem de 21 anos, sofreu ferimentos graves e foi transportado para o Hospital Amanto Lusitano, em Castelo Branco» (Miguel Cordeiro, noticiário das 11 da noite, Antena 1, 13.07.2016).

      Se o Dr. João Rodrigues ainda cá estivesse e ouvisse, preferia nunca mais ser conhecido por Amato Lusitano. Isto é mais do que descuido, isto é falta de cultura geral. Amato Lusitano é uma figura do século XVI demasiado importante para a ciência médica para ser ignorada — até o nome! — de um jornalista.

 

[Texto 7026]