07
Set 16

Ortografia: «monoétnico»

E agora, José?

 

      «Thorsten Benner não esconde a preocupação. “Querem promover uma contrarrevolução e transformar a Alemanha num país nacionalista e mono-étnico. Num sítio onde os não cristãos e os não heterossexuais não têm um papel público”, diz o especialista» («Merkel pode perder em casa para os populistas da AfD», José Fialho Gouveia, Diário de Notícias, 3.09.2016, p. 25).

      Não, José, nada disso: é monoétnico, como também é, por exemplo, monoespecífico, monoéster, monoatómico, monoácido... Não vou dizer a ninguém, prometo. 

 

[Texto 7067]

Helder Guégués às 20:30 | comentar | favorito (1)
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Léxico: «protocolar»

Olha o eco, eco

 

      «Entretanto, tanto a defesa de Dilma como o PSDB já protocolaram ações no Supremo Tribunal Federal contra a votação no Senado Federal de quarta-feira» («Temer prevê assinar acordos de 2,7 mil milhões na China», João Almeida Moreira, Diário de Notícias, 3.09.2016, p. 24).

      Um tudo-nada surdo: «Entretanto, tanto...» É só um reparo, porque não estamos aqui para isso, mas sim para lembrar que é raro protocolar ser usado sem ser como adjectivo. Aqui é verbo: registar o protocolo de seja do que for.

 

[Texto 7066]

Helder Guégués às 18:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Ortografia e etimologia: «semítico»

Sem sapos, mas com ciganos

 

   Enganaram-se aqui e saiu *sumítico. Podia ser, porque com avarentos as coisas, e sobretudo o dinheiro, estão sempre a sumir-se. Mas é ainda melhor somítico, porque o sovina está sempre, segundo o seu próprio juízo, a somar, não é? Mas não é por isso: a etimologia de «somítico» é o latino semitĭcu-, «judeu». Não digam a ninguém, ou ainda aparece aí um desses maluquinhos, afinal adeptos de uma espécie de eugenia semântica, que querem tirar dos dicionários (e da nossa boca e da nossa cabeça, como é?) algumas acepções de certas palavras; por exemplo, «cigano» deixar de ser também o que tenta enganar nos negócios, trapaceiro. Quando isso acontecer, está na hora de emigrar e até mesmo de me tornar guinéu-equatoriano.

 

[Texto 7065]

Helder Guégués às 12:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
07
Set 16

«Cegar/segar» e a falta de cuidado

Isso é crime

 

      Recentemente, um leitor nosso foi ver a exposição «Aurélia, mulher artista», uma panorâmica da obra desta pintora (1866-1922), no Museu da Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira, pertencente à Câmara Municipal de Matosinhos. E que viu o nosso leitor numa legenda? Isto: «Duas figuras a cegar erva». Podia ser crime, se em vez de vegetal fosse animal, como crime devia ser escrever para o público sem o saber fazer.

 

[Texto 7064]

 

 

Cegar (2).jpg

Helder Guégués às 07:00 | comentar | favorito
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