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Set 16

Léxico: «salinário»

Última invenção

 

      «Na viagem para o mais recente ex-líbris da cidade — uma salinário, já conhecido como “spa salínico” — paramos no Tê Zero, uma marca na doçaria aveirense. […] Depois de quase dez minutos a andar a pé, chegamos ao novo paraíso do sal em Aveiro. Afonso Miranda, gerente do espaço, proprietário da Cale de Oiro, explica que se trata de um “salinário” onde é possível tomar banhos de sal e de lama» («O que Aveiro tem? Desde um spa de sal até à roupa no estendal», Joana Capucho, Diário de Notícias, 4.09.2016, p. 22).

      Há-de ser mais uma invenção individual, como a do «pescódromo», que aqui vimos. Primeiro sem aspas e depois com aspas é que não lembra a ninguém... A ser de alguma forma, seria precisamente ao contrário.

 

[Texto 7076]

Helder Guégués às 23:57 | comentar | favorito
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Uma espécie de português

O pavor inocente

 

      «Digam o que disserem, o momento dramático da destituição da dona Dilma aconteceu quando um senador do PT falou na “presidenta inocenta”. As palavras não me saíram da cabeça. Em primeiro lugar, porque nenhuma delas existe em português decenta, perdão, decente. Em segundo lugar, porque a bem da clareza deve colocar-se a hipótese de a senhora ter de facto sido vítima de uma conspiração manhosa» («A presidenta inocenta», Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 4.09.2016, p. 10).

      Muito, mas muito bem. Mas dir-se-á isto em português decente?: «Convém que uma pessoa se pergunte: e se os defensores da dona Dilma têm razão? E depois convém que uma pessoa se responda: não, não têm» (idem, ibidem).

 

[Texto 7075]

Helder Guégués às 23:17 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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11
Set 16

Léxico: «aiurvédico»

Até ao fim

 

      «Médico endocrinologista de origem indiana radicado nos EUA, estudou e praticou a medicina “ocidental”, mas regressou à Índia para aprender os princípios da medicina ayurveda, da tradição hindu. […] No caso da alegada cura milagrosa do cancro da mama de uma paciente sua, conta em Cura Quântica que os tratamentos foram “mudanças na alimentação, algumas ervas aiurvédicas, (...) exercícios de ioga e instruções sobre meditação”» («Se morrer de cancro, a culpa é sua, diz o guru Chopra», David Marçal, Público, 10.09.2016, p. 39).

      Percebe-se a razão da diferença: num caso está a citar e a opção pessoal é outra. Mas, como somos portugueses, estamos em Portugal e os leitores são portugueses, talvez fosse conveniente aportuguesar termos desta natureza. Há dicionários, como o Aulete, que só teve coragem para metade, e, assim, regista «ayurvédico».

 

[Texto 7074]

Helder Guégués às 08:37 | comentar | ver comentários (5) | favorito