17
Set 16

Ortografia: «vale-tudo»

Não vale, não

 

      «Era o momento do vale tudo para dar resposta aos pedidos, com prazos muito apertados, e João valia-se de um trunfo em formato de comprimido que lhe dava superpoderes» («Doping para maratonas no escritório», Raquel Lito, Sábado, 14.09.2016, p. 35).

      Tal como atrás era tudo-nada, aqui é vale-tudo. A Sábado desta semana perdeu alguns hífenes. Outro exemplo: «A Sábado apurou que Sócrates e o defensor Pedro Delille tentaram até que o advogado João Costa Andrade, um dos filhos do penalista Costa Andrade recém escolhido para presidir ao Tribunal Constitucional, apresentasse também uma queixa formal contra o juiz Carlos Alexandre» («O cerco de Sócrates», António José Vilela, Sábado, 14.09.2016, p. 43).

 

[Texto 7098]

Helder Guégués às 20:11 | comentar | favorito
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Ortografia: «tudo-nada»

Mas é tudo verdade

 

      «Pessoa séria que sou, formada nos mais exigentes dicionários, considero a generalização desta linguagem, digamos, um tudo nada ridícula. Não podemos deixar a língua de Camões ser substituída por bonequinhos» («Pobre língua de Camões», Nuno Costa Santos, Sábado, 14.09.2016, p. 16).

    Pois é, Nuno Costa Santos, meu feicebuquiano amigo, mas até os menos exigentes dicionários registam tudo-nada — ☹.

 

[Texto 7097]

Helder Guégués às 09:16 | comentar | favorito
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AOLP90 e a música

Efectivamente

 

      Do nosso correspondente em Torres Novas, recebemos este excerto da programação do Teatro Virgínia: «Num concerto “Afectivamente” os GNR desligam a maior parte das tomadas: o baixo elétrico cede lugar ao baixo acústico, a guitarra passa as cordas ao violino e os teclados rendem-se ao piano. O próprio Rui Reininho será mais acústico, entenda-se menos elétrico. Os clássicos que celebrizaram o Grupo Novo Rock soam de forma diferente. Nunca a banda do Porto esteve tão próxima do público porque, efetivamente, este é um momento de afetos» (p. 30).

      Um marciano que visse isto ainda ficava mais verde — e nós, como ficamos? Vá lá, a pouca-vergonha encontrou limites, o que nem sempre sucede: o nome do concerto não foi estropiado.

 

[Texto 7096]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «azopigmento»

Manga curta

 

      «A Comissão Europeia conclui que 80% das tintas das tatuagens (que 3 milhões de europeus têm) são orgânicas (vêm do carvão e do petróleo). Entre estas, 60% têm azopigmentos, que em contacto com o sol podem ser cancerígenas» (Sábado, 14.09.2016, p. 14).

      Ia jurar que só portugueses são cinco milhões. Cancro é terrível, sim, mas todos os anos se constiparão milhões, porque no Inverno, coitados, têm de andar de manga curta para lhes vermos as tatuagens.

 

[Texto 7095]

Helder Guégués às 08:47 | comentar | favorito
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17
Set 16

Léxico: «periglicófilo»

Doce colecção

 

      «Apesar de alguns periglicófilos (é este o nome correcto que se dá aos coleccionadores de pacotes de açúcar) comprarem e venderem embalagens, a maioria recorre às trocas» («Qual guloso? Só quero o pacote», Ana Catarina André, Sábado, 14.09.2016, p. 72).

      Não conheço nenhum dicionário que a registe. Pobres periglicófilos, está mal. Vou já tratar do caso.

 

[Texto 7094]

Helder Guégués às 07:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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