19
Set 16

«Fórum/fóruns; foro/foros»

Estou com a malta

 

      «Um dia destes acordei e tudo tinha levado sumiço. As Notes, primeiro, e depois todo o meu Gmail. Todo. Tudo. Peritos foram convocados para me salvarem. Fez delete? Não. Foi ver o trash? Fui. Manobras foram praticadas de recuperação. Fora de horas, fui ver os chats, os fora (fóruns, diz a malta), fui aos sites» («Fujam, vem aí o update», Clara Ferreira Alves, «E»/Expresso, 17.09.2016).

      E diz a malta muito bem, Clara Ferreira Alves, porque dizer «ver os fora fora de horas» ia deixar o nosso interlocutor desconfiado da nossa inteireza mental. E, na escrita, tudo junto e sem itálico, é melhor pensar numa alternativa. Para Rebelo Gonçalves, essa alternativa era foro/foros. Isto é que é português — tal como fórum/fóruns, que só pode causar arrepios a latinistas retirados do mundo.

 

[Texto 7104]

Helder Guégués às 21:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Carros de cestos da Madeira

Agora já não?

 

      «Na Madeira, se a subir há santos que ajudam, sobretudo o São Teleférico, a descer há vários homens equipados a rigor — com as botas de vilão e os tradicionais chapéus de palha — que o vão empurrar. O passeio em carros de cestos gigantes desenrola-se por dois quilómetros íngremes e demora 10 minutos. Prepare o telemóvel ou a máquina de filmar para registar o percurso e assuste-se com as curvas que parecem apertadas de mais para a travessia. A meio do trajecto, haverá um fotógrafo a registar o seu ar de espanto — ou medo» («Carros de cestos», «GPS»/Sábado, 14.09.2016, p. 11).

      Dantes, e não é preciso calçar botas de vilão e carapuça para o saber, dava-se o nome de corsa a estes carros de cesto.

 

[Texto 7103]

Helder Guégués às 14:39 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

«Ó/oh»

Oh, que confusão!

 

      «Ó que feliz ia o menino! Andou, andou, foram rareando as árvores, e agora havia uma charneca rasa, de mato ralo e seco, e no meio dela uma inóspita colina redonda como uma tigela voltada» (A Maior Flor do Mundo, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 2002).

      Disse-o recentemente a quem mo perguntou, antigamente não havia distinção ortográfica entre a interjeição de chamamento e a de admiração, espanto, alegria. Mas, meus amigos, se agora se faz essa distinção, convém usá-la adequadamente. Saramago podia não saber ou, quem sabe, achar que devia ser só uma (mas antigamente essa única era oh, e não ó), ou até estar a borrifar-se para isso, mas quem editou o livro deve ter uma ideia mais sólida e actualizada, tanto mais que a obra é de leitura obrigatória — decisão que não me parece acertada — no 4.º ano.

 

[Texto 7102]

Helder Guégués às 09:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
19
Set 16

«The locals»

Parece que é, mas não é

 

      «Era o último dia de gravações da trama assinada por Benedito Ruy Barbosa em Sergipe, perto do rio São Francisco, que dá nome à telenovela — é tratado pelos locais como Velho Chico» («Brasil em choque com morte de ator da Globo», João Almeida Moreira, Diário de Notícias, 17.09.2016, p. 50).

    Julgam que estão a escrever em português — mas é inglês. Ora, acontece que têm obrigação de conhecer a língua, até porque, bem ou mal, ganham a vida a escrever — mal ou bem.

 

[Texto 7101]

Helder Guégués às 08:29 | comentar | ver comentários (29) | favorito
Etiquetas: ,