20
Set 16

«Tratar-se de», novamente

Ai que desgosto

 

      «Os médicos — por estes anos, o cirurgião e quem trata e o médico quem diagnostica e receita — concluíram, dirão mais tarde, tratarem-se de sintomas de envenenamento» («Isabel quis matar o marido com água-forte, Tomás salvou-se e ela morreu», Anabela Natário, Expresso Diário, 19.09.2016).

      Anabela Natário — ai que desgosto! —, então na acepção de «estar em causa», tratar-se não é um verbo defectivo e impessoal, pelo que se usa sempre na 3.ª pessoa do singular? «Tratar-se de sintomas de envenenamento». Prometa que revê esta parte da gramática. Promete?

 

[Texto 7109]

Helder Guégués às 16:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «lavagem»

Era e ainda é

 

      «O “tempero” foi de água-forte, ou seja, ácido nítrico que pode matar se bebido e ainda mais rapidamente se se tratar de uma lavagem, outro nome dado à época ao clister» («Isabel quis matar o marido com água-forte, Tomás salvou-se e ela morreu», Anabela Natário, Expresso Diário, 19.09.2016).

      Dado à época e até recentemente, quando calhava. Tanto é assim que ainda permanece este sentido nos dicionários.

 

[Texto 7108]

Helder Guégués às 15:57 | comentar | favorito
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E o adjectivo relativo a «relíquia» é...?

Podia ser, sim

 

     O teixo, uma das mais antigas árvores nativas da Europa, está em risco de extinção. «O caso do teixo é mesmo uma espécie reliquial, quer dizer, que aparece em pequenos núcleos no Gerês ou aqui [vale glaciar do Zêzere]», veio alguém, não identificado, dizer na RTP, ontem.

      Eu já tinha lido o adjectivo reliquial — em livros de língua inglesa. Quem a usa pensa talvez que, como de resíduo há o adjectivo residual, a relíquia corresponderá *reliquial. Mas não, pelo menos em português. O Dicionário Houaiss (2003) só regista réliquo/relíquo, mas mentiria se dissesse que já o li ou ouvi.

 

[Texto 7107] 

Helder Guégués às 11:09 | comentar | favorito
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Léxico: «repositório»

Pois é

 

      «Morrison chama-lhe “um banco com carácter”, intrigou-o o corte no assento — é feito de madeira remanescente do fabrico de carretes de rodas; ao lado, uma taça que combina as funções de repositório e de tábua para cortar, “representa o que deve ser o design, pensamento prático que resulta em algo excepcionalmente útil”, escreve o designer» («Jasper Morrison olhou para a arte rural portuguesa e viu design», Maria Paula Barreiros, Público, 19.09.2016, p. 26).

      Ainda nunca tinha pensado nesta acepção — sítio onde se guarda alguma coisa; depósito — da palavra repositório. Entretanto, vejam o Instagram de Jasper Morrison.

 

[Texto 7106]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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20
Set 16

Centros de estudo e TPC

Leiam e brinquem

 

      As criancinhas devem ou não fazer trabalhos de casa, TPC? Manuela Leite, directora do centro de estudos Letras e Números, expõe a sua opinião na RTP: «Temos alunos aqui a chegar por volta das 18h00, onde [sic] já estão cansados...» Corta! Corta! Tomem juízo: procurem soluções, deixem as crianças com uma avó, um irmão mais velho, até em casa sozinhas. Incentivem-nas a ler, a pensar, a escrever, a brincar...

 

[Texto 7105]

Helder Guégués às 10:09 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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