21
Set 16

Léxico: «Breslávia»

Não somos polacos (ou poloneses)

 

      «Em Lisboa, o número de rotas disponíveis passará de 18 para 23, com o lançamento de Bolonha, com três voos por semana, Glasgow, duas vezes por semana, Luxemburgo, quatro por semana, Toulouse, diariamente, e Wroclaw (Breslávia)» («Ryanair lança novas rotas e promoções a partir de €14,99», Margarida Fiúza, Expresso Diário, 21.09.2016).

      Melhor: Glásgua, Luxemburgo, Tolosa e Breslávia. Agora a sério: creio que é a primeira vez que vejo este aportuguesamento num jornal. Por mim, perfeito. Se Warszawa passou a Varsóvia, não vejo porque não. De qualquer maneira, quem é que escreve e pronuncia bem Wrocław? Parece que é «Vróst-lav», mas devemos fingir que não sabemos.

 

[Texto 7115]

Helder Guégués às 21:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito

«Cegar/segar»

Uma cegada

 

      «E ainda leva couve cegada, para introduzir alguma doçura» («Os pratos mais picantes», Ágata Xavier et al., «GPS»/Sábado, 14.04.2016, p. 13).

      Não é o erro que encontrámos (encontrou Rui Almeida, na verdade) na exposição «Aurélia, mulher artista», no Museu da Quinta de Santiago? Duas figuras a cegar erva... Seja como for, a designação não me é familiar, e, mesmo agora, pesquisando nos meus apontamentos, só encontro uma citação: «Ora cá está a ceiazinha — disse à laia de cumprimento; e poisou num banco duas panelas, uma com caldo de couve segada, com feijões e grandes manchas de azeite a boiar, que cheirava pela vida, a outra com arroz de bacalhau» (Contos e Novelas, Domingos Monteiro. Lisboa: INCM, 2001, p. 77). Há-de ser o mesmo que couve migada, isto é, partida em bocadinhos, pois que segar é cortar. Uma linha ou superfície secante (que tem o mesmo étimo) não é a que intersecta, corta, outra?

 

[Texto 7114]

Helder Guégués às 20:53 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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O musical gerúndio

De ciganos, fadistas e alentejanos

 

      «Estranhará porque que falo muito no gerúndio e articulo desta maneira. O gerúndio, a mim, me soa mais musical, do que dizer por exemplo, cantar. Se disser cantando, é outra coisa. Gosto mais, me soa mais musical. Soa-me melhor chorando, em vez de chorar. Eu gosto de articular este português meio antigo, é muito rítmico. Sou um bocado vidrado no ritmo. É uma pancada, como outra qualquer. Gosto de falar assim, a língua torna-se noutra coisa» («“Já não tenho nada para provar ao fado, nem aos fadistas”», Elsa Araújo Rodrigues, Observador, 3.04.2016, p. 12).

      A jornalista comentara que a entoação era muito parecida com a dos ciganos. O mesmo pensei eu quando o vi ser entrevistado por Maria João Seixas no programa Afinidades, em que o fadista também falou das relações de amizade que teve com ciganos e confessou que lhe agradava mais usar o gerúndio.

 

[Texto 7113]

Helder Guégués às 20:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «espadal»

Sobre o vinho

 

      «Nas entradas, há estas chamuças estaladiças (€0,60 a unidade), acabadas de fritar, com recheio de carne picada picante e um vago sabor a caril. Devem ser acompanhadas por um copo de vinho espadal (um verde, rosé e adocicado), a bebida da casa» («Os pratos mais picantes», Ágata Xavier et al., «GPS»/Sábado, 14.04.2016, p. 12).

      Não conhecia, mas agora já sei que é sinónimo de espadeira ou espadeiro, que é a designação de uma videira, e das suas uvas, cultivada em Portugal. E também ontem ouvi outra pela primeira vez: rola-pipas. Foi usada no programa Visita Guiada, de Paula Moura Pinheiro, neste caso à ilha do Pico.

 

[Texto 7112]

Helder Guégués às 20:12 | comentar | favorito
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Léxico: «organóide»

Mais complexa, mas qual é?

 

      «Num qualquer dicionário, organóide é o que se assemelha a um órgão, a um corpo organizado. Na ciência, a definição é mais complexa. Os órgãos criados em laboratório — sejam miniaturas, modelos tridimensionais ou outras tentativas — são hoje uma das mais promissoras áreas de investigação. O objectivo é, um dia, “(re)produzir” órgãos capazes de corrigir ou reparar as falhas do nosso organismo» («Fabian foi salvo por um organóide», Andrea Cunha Freitas, Público, 21.09.2016, p. 24).

     Ficamos sem saber qual é a definição científica. Seja como for, não o encontramos em todos os dicionários, isto quando já estava registado por Cândido de Figueiredo.

 

[Texto 7111]

Helder Guégués às 18:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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21
Set 16

«Tudo é política/tudo é político»

Semelhante, mas diferente

 

      «Citando a frase “tudo é política” do economista Paul Krugman e considerando a interpretação de programa de informação política “como de amplo conceito”, a SIC diz que “nenhum programa televisivo poderia ser patrocinado, o que implicaria largos prejuízos para os operadores de televisão, deteriorando ainda mais a sua já muito sensível situação financeira no contexto actual de crise e podendo (...) comprometer a continuação da sua actividade”» («ERC não quer vinhos e saladas na Quadratura do Círculo», Luciano Alvarez, Público, 21.09.2016, p. 13).

      Essa frase é de Paul Krugman? Claro que nunca saberemos quem disse certa frase pela primeira vez. O que por vezes sabemos, nem sempre com certeza, é quem a escreveu pela primeira vez. Talvez se possa ir mais para trás, mas Settembrini, personagem da Montanha Mágica, de Thomas Mann, afirmou que tudo é política. Mas não: o que se lê na deliberação da ERC, que cita Krugman, é que «tudo é político».

 

[Texto 7110]

Helder Guégués às 17:19 | comentar | favorito
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