04
Out 16

Como se fala na televisão

Não MAAT a língua

 

     Ainda no mesmo Jornal da Tarde, na RTP1, Pedro Gadanho, o director do novíssimo MAAT, Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, afirmou, com muita hesitação, é certo, que o edifício foi concebido para «promocionar o maior usufruto possível» da zona. Não consegui ouvir mais nada, como devem compreender. Depois admiram-se de que o consumo de ansiolíticos triplicasse em Portugal nos últimos anos.

 

[Texto 7139]

Helder Guégués às 20:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Como se fala na televisão

Antes surdo

 

    A correspondente da RTP em Bruxelas, a jornalista Fernanda Gabriel, revelou hoje, no Jornal da Tarde, que os governos «serão audicionados no Parlamento Europeu» sobre a questão dos fundos comunitários. Falou ainda de certa «reunião que reúne» não sei quê e ainda de outra «presidida pelo presidente». Não consegui ouvir mais nada, como devem compreender. Depois admiram-se de que o consumo de ansiolíticos triplicasse em Portugal nos últimos anos.

 

[Texto 7138]

Helder Guégués às 15:09 | comentar | favorito

Tradução: «tumbler»

Mais uma incoerência

 

      A terceira acepção de tumbler, no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, é «pombo de cambalhota». Muito bem. Tentem depois saber o que é compulsando o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Nada, não encontram nada. Se está algum columbófilo entre os leitores do Linguagista, que nos explique se a designação é correcta. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, já aqui declarada infalível por Montexto,  lê-se pombo cambalhota, nome que lhe advém da sua capacidade de voar em cambalhotas. Na saudosa Gazeta das Aldeias (que tem um leitor aqui nesta humilde pessoa), é pombo-cambalhota, «que se eleva nos ares e subitamente se deixa cahir dando voltas successivas, como se fosse atacado de uma vertigem».

 

[Texto 7137]

Helder Guégués às 10:33 | comentar | favorito

Léxico: «autofagocitose/autofagossoma/lisossoma»

Três de uma vez

 

      «A autofagia (ou autofagocitose) é um processo celular que dá origem à degradação de componentes da própria célula e é fundamental em processos fisiológicos como a adaptação à fome ou a resposta a infecções. […] Foi durante os anos 60 que os investigadores perceberam que a célula conseguia destruir o seu conteúdo envolvendo-o em membranas e formando pequenos sacos (uma espécie de vesículas chamadas “autofagossomas”), que eram transportados para um compartimento de reciclagem — chamado “lisossoma” — e degradados. A palavra “autofagia” vem do grego e significa “comer-se a si mesmo”» («O lado canibal das células», Andrea Cunha Freitas, Público, 4.10.2016, p. 32).

    Todos eles termos que faltam em muitos dos principais dicionários, como, por exemplo, no nosso Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa. Mas não apenas: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, dos três, só acolhe «lisossoma». São termos técnicos, dirão, e por isso de interesse limitado. Discordo: o seu uso nos jornais força-nos a acolhê-los nos dicionários e a defini-los de forma simples mas exacta.

 

[Texto 7136]

Helder Guégués às 09:03 | comentar | favorito
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04
Out 16

Léxico: «cartão branco»

Mais uma cor

 

      «O cartão branco vai passar 
a ser utilizado em novas modalidades, nomeadamente
 o andebol, basquetebol, patinagem, râguebi, corfebol, voleibol e ténis de mesa. O cartão branco é utilizado 
pelos árbitros “para valorizar gestos [sic] positivos e de fair-play praticados pelos atletas, treinadores, dirigentes e público durante as competições desportivas” nos escalões de formação» («Cartão branco vai estender-se a novas modalidades», Público, 4.10.2016, p. 47).

      Vai estender-se a novas modalidades — e eu nem sequer sabia que existia. Sendo assim, está na hora de ser dicionarizado, até pelo uso metafórico que se lhe vai dar. No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, por exemplo, encontramos tanto cartão amarelo, como cartão vermelho.

 

[Texto 7135]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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