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Out 16

«Ganho ponderal»

Apre!

 

      Ontem, no Bom Dia[,] Portugal, na RTP1, um médico — que devia estar ciente de ser visto sobretudo por donas de casas e idosos (eu não, pois vi à noite no iPad) — falava de «ganho ponderal». Ora, ora. Apesar de pesar e pensar estarem ligados, isto foi pouco ou nada ponderado, pois 99 % dos telespectadores não compreenderam. Está mal. Não, o tema não era a mal chamada fat tax, taxa dos gordos, como lhe chama João Quadros, que preconiza que sejam aqueles a pagar a crise. «Lamento», escreve, «mas se uma pessoa está gorda é porque tem onde cortar.» Alguns desculpam-se com os genes, e até alegam que comem pouco, como S. Benedito, que não come nem bebe e anda gordito.

 

[Texto 7156]

Helder Guégués às 23:16 | comentar | favorito
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Léxico: «pansexual»

Na revista Variety, hein?

 

      Miley Cyrus, que até está, manda a verdade dizê-lo, menos feia, descobriu, depois de muito experimentar, que é pansexual. Isso mesmo, pansexual. Por sorte, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o vocábulo: «relativo a ou pessoa cujas possibilidades de relacionamento sentimental e orientação sexual não são, assumidamente, limitadas por qualquer questão de género ou de identidade sexual». A rapariga, estão aqui a dizer-me, é americana, e por isso gosta é de pan... quecas.

 

[Texto 7155]

Helder Guégués às 21:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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12
Out 16

«Contingentação»

Impropriamente

 

      «Contingentação: Os taxistas defendem a contingentação, um palavrão que pretende limitar os carros que circulam nas cidades. O Governo é inflexível: não será imposto um limite, que considera inconstitucional» («Oito dias para chegar a um consenso», Sónia Sapage, Público, 12.10.2016, p. 9).

      É uma maneira de dizer — imprópria. O palavrão não limitará nada. Em alguns dicionários, a definição tem de ser apurada. Por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, lê-se isto: «Fixação, pelo Estado ou por outra instituição, da quantidade máxima de mercadorias ou bens que pode ser produzida, consumida ou importada; acto ou efeito de contingentar.» Ora, no caso em apreço, não se trata de mercadorias ou bens, mas de serviços.

 

[Texto 7154]

Helder Guégués às 08:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito