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Out 16

Blá-blá-blá

Conversa de circunstância

 

      Ah, a tecnologia! Agora, o Messenger do Facebook já sugere tópicos de conversa, imagine-se. Não que isso faça falta a toda a gente. Um inglês, mesmo transplantado para Portugal, e ainda que escreva crónicas para os jornais, pode sempre falar, e de facto fala e escreve, sobre o tempo. E ganha a vida com isso. Claro que não pode dizer, como se estivesse em Bath ou Cambridge, «If you don’t like the weather now, wait 5 minutes and it will change!» Ou diz, sei lá, por vezes não percebemos nada do que dizem e pensam. Não que isso nos deva importar, porque, afinal, já temos os nossos compatriotas, que nos dão que fazer que chegue.

 

[Texto 7176]

Helder Guégués às 11:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Nomes das lojas

Publica ou morre (longe)

 

      À primeira vista, parece um nome russo: Sapataria Andlev. Como Cabeleireiro Natasha Vasilev, ali na Cláudio Nunes. Mas claro que não, pelo contrário, é uma amálgama criativa: and(e)+lev(e). (Que não me esqueça a pedigrafia.) Mas agora vê-se cada uma... Nem me refiro à «loja chinês». Na Emília das Neves, há uma muito britânica — mas o proprietário será indiano com estágio em Moçambique — Rashid Electricals. Não há limites para a desnacionalização linguística, isso sim. Sabiam que há um estudo linguístico dos nomes das lojas em Portugal? Há estudos de tudo. Como é que se diz em inglês? Ah, sim: Publish or perish. Ou publicam ou vão para professores/caixeiros-viajantes, num périplo eterno pelas escolas do País. Safa!

 

[Texto 7175]

Helder Guégués às 08:09 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Ortografia: «afrodescendente»

Todos temos de aprender

 

      «Os afro-descendentes, as migrações, a questão indígena e o pensamento contemporâneo são os quatro pilares de Lisboa 2017 — Capital Ibero-Americana de Cultura, que durante o próximo ano trará à cidade cerca de 150 eventos» («Afro-descendentes, migrações e algum kitsch na Lisboa 2017», Isabel Salema, Público, 19.10.2016, p. 28).

      Errado, Isabel Salema. Está a ver dois gentílicos nesse vocábulo? Daqui só se vê um, lamento. Não confunda com os casos em que há dois gentílicos, um na forma reduzida: afro-americano, ibero-americano, israelo-americano... Exactamente: agora também defendo — posso mudar de opinião? Obrigado —, ainda no âmbito do Acordo Ortográfico de 1945, lusodescendente. Vá, não volte a cair nesse.

 

[Texto 7174]

Helder Guégués às 07:34 | comentar | favorito
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David Hockney, prestigiável

Venham de lá todas

 

      Isto é o fim do mundo: o Nobel da Literatura para um cantor (mas que se está a borrifar e não atende o telefone nem sequer à Academia Sueca), a Feira de Frankfurt dedicada a um pintor... Meu Deus! Ainda havemos de ver o Nobel da Química outorgado a um chefe da cozinha molecular. Mas quanto a Frankfurt, David Hockney é um artista multifacetado e tem uma obra apaixonante, merece, é prestigiável. (Posso usar «prestigiável»? Defendo que todas as palavras desta natureza, ainda que de uso mais coloquial e pontual, deviam integrar os dicionários: candidatável, deputável, ministeriável, nobelizável, papável, prefeitável, presidenciável, reitorável, senatoriável...)

 

[Texto 7173]

Helder Guégués às 07:10 | comentar | ver comentários (6) | favorito

Léxico: «roqueiro»

Nem rocha nem roca

 

      «Ainda não são conhecidos muitos detalhes sobre este novo trabalho, mas o filho do músico adianta que o alinhamento de Chuck irá cobrir um espectro musical alargado, indo de um universo mais roqueiro até outro mais poético e comovente, numa espécie de viagem pelo trabalho de uma vida» («Aos 90 anos, Chuck Berry vai ter disco novo», Público, 19.10.2016, p. 30).

      Para não ir mais longe: no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não encontramos esta acepção de «roqueiro» — que é relativo à música rock ou aos seus músicos.

 

[Texto 7172]

Helder Guégués às 06:44 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Out 16

Léxico: «pedigrafia/pedígrafo»

Sedentário, eu?

 

      Aposto que não querem saber, mas estou a pensar ir fazer uma pedigrafia, e nem a ausência da palavra de todos os dicionários me demove. Há uma clínica ali no Saldanha que tem um pedígrafo digital (e o que não é digital hoje em dia?) e faz esses exames. Sim, também pedígrafo está fora dos dicionários. A ideia é mandar fazer umas palmilhas à medida. Ter andado 1600 quilómetros a pé nos últimos tempos deixou a sua marca.

 

[Texto 7171]

 

Pedigrafia.jpg

Helder Guégués às 06:23 | comentar | favorito