28
Out 16

Léxico: «autor-fantasma»

E outras fantasmagorias

 

      «Autor-fantasma do livro apanhado nas escutas» (Débora Carvalho, Correio da Manhã, 22.10.2016, p. 30).

      Ainda pensei que os dicionários da língua portuguesa registassem ghostwriter e não autor-fantasma, mas não chegam a tanto — simplesmente não registam nenhum dos termos. Quanto a fantasmagorias inglesas, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista uma que me é muito cara, ghosting: «modo de acabar uma relação amorosa, que se caracteriza pela forma abrupta e inesperada como a pessoa que pretende terminar o relacionamento o faz, desaparecendo sem explicações e evitando qualquer tipo de comunicação posterior com o parceiro abandonado». Por vezes, não há outra saída. Não regista é outra acepção de ghosting, bem conhecida de quem via televisão aí pelos anos 70 e 80: «The appearance of a ghost or secondary image on a television or other display screen.»

 

[Texto 7202]

Helder Guégués às 21:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito
28
Out 16

Ortografia: «cachorro-quente»

Malditos sejam

 

      «O governo da Malásia vai proibir a venda de cachorros quentes no país» («Malásia proíbe venda de cachorros quentes», Correio da Manhã, 22.10.2016, p. 37).

      Acho muito bem. Malásios do catano! Pervertidos! Imagine-se, a comerem cachorros quentes. São eles e os comunistas a comerem pequenos assados, os malandros. Os jornalistas e os revisores é mais queijo.

 

[Texto 7201]

Helder Guégués às 21:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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27
Out 16

Tradução: «pick-up»

Redutoras já está assente

 

      «A X-Class é uma pick-up de tamanho médio e terá um motor V6 e um quatro cilindros, ambos diesel e com tração integral. Esta combina um sistema eletrónico, uma transmissão com redutoras e dois bloqueios de diferencial, um no eixo traseiro e outro central» («A classe que faltava», Rui Pedro Reis, Expresso Diário, 27.10.2016).

      Cá estão as redutoras — agora já libertas das aspas discriminatórias que lhes vimos aqui. Isto está assente. Mas pick-up... Vão lá dizer ao tio José que gostam da pick-up dele... Toda a vida ouvi dizer e disse carrinha de caixa aberta. Para o Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, o equivalente é «camioneta de caixa aberta». Os Brasileiros não podiam deixar de afeiçoar a palavra à sua maneira (que não é manifestamente a nossa) e, vai daí, saiu picape (!), que, para o Aulete, é a «caminhonete com carroceria aberta para transporte de mercadorias». Em 2017, toda a gente — incluindo cá o degas — vai querer uma carrinha destas. Será meio caminho para me tornar agricultor urbano.

 

[Texto 7200]

 

 

Carrinha.jpg

Helder Guégués às 22:45 | comentar | favorito
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Tradução: «raceway»

Já que é proibido

 

      «E, para crescer em escala, está em estudo a criação das chamadas raceways low-cost, uma espécie de piscinas, mas a céu aberto, que permitem produzir quantidades muito maiores de algas, embora com um nível de pureza menor (e, neste caso, serão destinadas a outros fins que não a indústria alimentar)» («O que leva uma cimenteira a produzir microalgas?», Alexandra Prado Coelho, Público, 27.10.2016, p. 27).

      Será que se chamam mesmo raceways low-cost, como escreve a jornalista? É claro que não. Quando muito, raceways — já que é proibido escrever totalmente em português na imprensa portuguesa. São tanques de fluxo contínuo.

 

[Texto 7199]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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27
Out 16

Tradução: «slippery slope»

Uma escorregadela

 

      «Estamos perante um efeito “bola de neve”, dizem os investigadores, que usam a expressão “terrenos escorregadios” (em inglês, slippery slope). E, presumem os cientistas, o mesmo princípio também poderá aplicar-se a situações como comportamentos de risco ou violentos» («O cérebro adapta-se à desonestidade e a mentira cresce», Andrea Cunha Freitas, Público, 26.10.2016, p. 27).

      Não é um efeito bola de neve, não. A metáfora é outra. À letra, é um plano inclinado escorregadio. No efeito bola de neve, pretende-se dizer que alguma coisa se vai avolumando, e, por consequência, tomando proporções cada vez maiores. Ora, no slippery slope (termo proposto em 1985 por Frederick Schauer), como aqui explica José Roberto Goldim, professor de Bioética, isso não acontece, o fenómeno não se vai ampliando em escala, há antes uma contiguidade.

 

[Texto 7198]

Helder Guégués às 00:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Out 16

Léxico: «monossábio»

Olé!

 

      Só sabia o que eram monomaníacos, e sorriu, como que a insinuar estar perante um espécime, o estafermo. Mas não disse que conhecia a cultura espanhola?, perguntei-lhe. Sorriso alarve. E não diz também ser leitor do catalão Eduardo Mendoza?, desafiei-o ainda. Respingou: E depois? Monossábio é o moço que, nas praças de touros em Espanha, trata dos cavalos, ajuda os picadores a montar, etc.

 

[Texto 7197]

Helder Guégués às 20:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Out 16

«Caminho de pé posto»

Escapara-me até hoje

 

      Só neste ano da graça de 2016, e agora mesmo, é que li pela primeira vez a expressão «caminho de pé posto». Ora esta... E até está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «vereda que resulta da passagem repetida de pessoas pelo mesmo local». Como também a encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa: «carreiro estreito, marcado pelo passar repetido das pessoas».

 

[Texto 7196]

Helder Guégués às 09:11 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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25
Out 16

Léxico: «copela»

Mais uma?!

 

      «Utiliza um invólucro com copela de 12 milímetros, bucha plástica e é carregado com pólvora D20. O resultado é um tiro com uma distribuição muito densa na zona central do alvo (50 centímetros) e uma boa aba de tiro» («Nortiro 32, 34 e 36 gramas e Dispersor 34», P. V., Caça & Cães de Caça, Novembro de 2016, p. 36).

      Ah, sim, outra! Até parece que não temos caçadores em Portugal, mas cazadores. A copela ou culote é o acabamento latonado da cápsula dos cartuchos. Esperemos que algum caçador ou especialista em armas e munições nos corrija, se for caso disso. 

 

[Texto 7195]

Helder Guégués às 23:56 | comentar | favorito
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25
Out 16

Léxico: «encare»

Outra de Espanha?!

 

     «Seria nesta última situação que pretendíamos avaliar a nova espingarda da Blaser, principalmente no encare, já que o seu baixo peso (3,1 kg, com canos de 76 cm) adivinhava tratar-se de uma arma confortável de transportar» («Blaser F16 Game», J. P. Bourguignon, Caça & Cães de Caça, Novembro de 2016, p. 35).

      Outra, pois. Em castelhano é que encarar também é «apuntar, dirigir un arma hacia un lugar. Encarar la saeta, el arcabuz». Agora interessava era saber se um caçador da Madeira, por exemplo, também usa o termo. Usa, Montexto?

 

[Texto 7194]

Helder Guégués às 23:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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