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Linguagista

Cheques carecas

E Rocambole

 

      «Uma situação digna de Rocambole continua a envolver a venda em hasta pública da Casa do Alcaide-mor em Estremoz, que foi classificado como monumento nacional em 1924. Depois de uma criticada hasta pública, o espaço foi adquirido por uma empresa americana, com sede num paraíso fiscal nos EUA, que pagou a caução com um cheque “careca”. A venda acabou por ser revogada» («Empresa comprou monumento nacional com cheque “careca”», Carlos Dias, Público, 4.11.2016, p. 18).

      Carlos Dias, «careca» não precisa de aspas; é um termo informal, apenas isso. Para meu grande espanto — não quero descobrir-lhe a careca, apenas contribuir para que seja melhor —, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o regista. Ao Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, muito mais antigo, não escapou: «Que não tem provimento ou cobertura no banco.» E a «situação digna de Rocambole»? Têm aqui um modelo os colegas do jornalista que abusam do adjectivo «dantesco» — felizmente só no Verão —, variando com «uma situação digna de Dante»...

 

[Texto 7222]