28
Nov 16

Tradução: «fresh water»

Ler para crer

 

   Ainda recentemente alguém dizia não acreditar que um tradutor profissional traduzisse fresh water por «água fresca». A não ser que se trate de um incréu São Tomé, pode agora apontar que acabei, às 20h58 do dia 28 de Novembro de 2016, de ver isso mesmo. E isto num contexto claríssimo.

 

[Texto 7284]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | favorito
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28
Nov 16

Rio Cuanza

Não é nostalgia, não

 

      «Os camaradas que vinham da patrulha das áreas da nascente do Cuanza, [sic] viram o avião a deitar fumo e a voar sem direcção» (Dino Matrosse na Mira da PIDE, Julião Mateus Paulo. Alfragide: Editorial Caminho, 2013, p. 117).

   Então, um angolano, ainda para mais com funções no Estado, escreve em pleno século XXI Cuanza, e na tradução de um livro inglês que aqui tenho o tradutor optou repetidamente por Kwanza? Imperdoável.

 

[Texto 7283]

Helder Guégués às 20:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
27
Nov 16

Os «locais», de novo

Já é modismo

 

      «Em Santiago, Alípio de Freitas recebeu treino militar, de guerrilha. Durante uma folga desse treino, aproveitou para conhecer uma aldeia, perto do campo. Os locais faziam fardos de feno, com erva molhada, e Alípio alertou que os feixes, ao serem feitos com essa erva molhada, acabariam por apodrecer. Fidel estava lá, na aldeia, ouviu a explicação e dirigiu-se a Alípio. Foi aí que se conheceram pessoalmente» («Alípio de Freitas: O toque mágico, de fazer bem e amar, vai com Fidel», TSF, 26.11.2016).

    Os «locais», pois... Muito inglês. Custa a crer que os aldeões fizessem os fardos com a erva molhada. Naturalmente não seriam aldeões, mas professores castigados, não?

 

[Texto 7282] 

Helder Guégués às 20:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Havana, Haia, Corunha e por aí fora

Não para nós

 

      Vá lá, no fluxo contínuo nas rádios e nas televisões a propósito da morte de Fidel Castro, não aflorou nem uma vez a velha mania de antepor o artigo, em maiúscula, ao nome da capital, A Havana. Em Espanha, porém, lá vieram lembrar, na Fundéu, que se escreve «con el artículo en mayúscula, pues forma parte del nombre; por tanto, es inapropiado mencionar esa ciudad omitiendo el artículo: “En Habana tuvo lugar...”». É lá com eles; para nós, Havana, Haia, Corunha, etc.

 

[Texto 7281]

Helder Guégués às 11:06 | comentar | favorito
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27
Nov 16

Léxico: «zairota»

Faltam outros

 

      Acho muito curioso que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registe, quando não acolhe centenas de outros, o termo angolano zairota: «Angola ETNOGRAFIA depreciativo designação do angolano refugiado no Zaire quando da Luta [sic] pela independência, entretanto regressado, e também chamado zaikó». Não que eu ache que está lá a mais: faltam é muitos outros.

 

[Texto 7280]

Helder Guégués às 10:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Nov 16

Tradução: «for the time being»

Ora, ora

 

      Não tenho dúvidas de que o tradutor conhece a expressão inglesa «for the time being». Tanto assim é que só errou numa letra: «por hora». (Estaria a pensar no estipêndio do seu trabalho.) No Brasil é que, com uma população de 200 milhões de habitantes, 13 milhões dos quais analfabetos, Sérgio Nogueira, e decerto muitos outros, têm de explicar, tintim por tintim, quando se deve usar ora e quando deve ser hora.

 

[Texto 7279]

Helder Guégués às 20:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Nov 16

Tradução: «royalty»

Talvez possa ser diferente

 

      Até se pode usar em todo o mundo a palavra royalty em relação à exploração de petróleo, mas não estar registada essa acepção nos nossos dicionários bilingues só pode contribuir para perpetuar o seu uso como palavra intraduzível. A acepção «a sum of money that is paid by an oil or mining company to the owner of the land that they are working on» foi esquecida pelos dicionaristas portugueses. Se só se diz que são «direitos de autor; royalties», o tradutor nem hesita. Qual a natureza jurídica disto? Serão direitos, sim, mas não de autor; é uma compensação, ou indemnização, pelo uso dos terrenos onde se explora o petróleo.

 

[Texto 7278]

Helder Guégués às 20:49 | comentar | favorito
25
Nov 16
25
Nov 16

Léxico: «diapausa»

São precisos vários

 

      «Na natureza, a animação suspensa dos embriões também existe — é a chamada “diapausa”. Em mamíferos como os ratinhos, o desenvolvimento dos embriões abranda durante um período. A fêmea continua activa e os blastocistos no seu útero é que ficam com o desenvolvimento suspenso» («Cientistas suspendem no tempo desenvolvimento de embriões», Teresa Serafim, Público, 25.11.2016, p. 35).

    Acontece, porém, que não a encontramos nem no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa. Está no Dicionário Aulete.

 

[Texto 7277]

Helder Guégués às 09:58 | comentar | favorito
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