28
Nov 16

Como se escreve no Brasil

Jornalista, de certeza?

 

      Não falemos então de analfabetos. «Fidel, com a simbólica barba de guerrilheiro, era alto, carismático, loquaz e “vulcânico” — de acordo com um dos seus grandes amigos, o falecido cineasta cubano Alfredo Guevara —, enquanto Raúl, cinco anos mais novo, tem estatura mediana, calvo, de poucas palavras e é inimigo do improviso» («Fidel e Raúl Castro, irmãos diferentes e companheiros», IstoÉ, 26.11.2016).

      Calvo, Raúl Castro? De certeza? O jornalista, se isto saiu das mãos de um jornalista, quer à viva força que «calvo» seja antónimo de «barbado», não é?

 

[Texto 7286]

Helder Guégués às 22:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Búteo-de-harris»

Registe-se

 

      «À TSF, o autarca de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, destaca a relação entre a falcoaria e o município, que há cerca de dois anos se registou como Capital Nacional da Falcoaria» («Um enfermeiro falcoeiro e um búteo de Harris chamado Setembro», Isabel Meira, TSF, 28.11.2016).

   Nunca tinha pensado nisto, mas é claro que tinha de ser assim: tem de ser registado. (Como a TSF segue o Acordo Ortográfico de 1990, escrever-se-á búteo-de-harris, também conhecido por gavião-asa-de-telha. Búteo apresenta a variante bútio. É palavra que veio do árabe.)

 

[Texto 7285]

Helder Guégués às 22:02 | comentar | favorito
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Tradução: «fresh water»

Ler para crer

 

   Ainda recentemente alguém dizia não acreditar que um tradutor profissional traduzisse fresh water por «água fresca». A não ser que se trate de um incréu São Tomé, pode agora apontar que acabei, às 20h58 do dia 28 de Novembro de 2016, de ver isso mesmo. E isto num contexto claríssimo.

 

[Texto 7284]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | favorito
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28
Nov 16

Rio Cuanza

Não é nostalgia, não

 

      «Os camaradas que vinham da patrulha das áreas da nascente do Cuanza, [sic] viram o avião a deitar fumo e a voar sem direcção» (Dino Matrosse na Mira da PIDE, Julião Mateus Paulo. Alfragide: Editorial Caminho, 2013, p. 117).

   Então, um angolano, ainda para mais com funções no Estado, escreve em pleno século XXI Cuanza, e na tradução de um livro inglês que aqui tenho o tradutor optou repetidamente por Kwanza? Imperdoável.

 

[Texto 7283]

Helder Guégués às 20:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
27
Nov 16

Os «locais», de novo

Já é modismo

 

      «Em Santiago, Alípio de Freitas recebeu treino militar, de guerrilha. Durante uma folga desse treino, aproveitou para conhecer uma aldeia, perto do campo. Os locais faziam fardos de feno, com erva molhada, e Alípio alertou que os feixes, ao serem feitos com essa erva molhada, acabariam por apodrecer. Fidel estava lá, na aldeia, ouviu a explicação e dirigiu-se a Alípio. Foi aí que se conheceram pessoalmente» («Alípio de Freitas: O toque mágico, de fazer bem e amar, vai com Fidel», TSF, 26.11.2016).

    Os «locais», pois... Muito inglês. Custa a crer que os aldeões fizessem os fardos com a erva molhada. Naturalmente não seriam aldeões, mas professores castigados, não?

 

[Texto 7282] 

Helder Guégués às 20:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Nov 16

Havana, Haia, Corunha e por aí fora

Não para nós

 

      Vá lá, no fluxo contínuo nas rádios e nas televisões a propósito da morte de Fidel Castro, não aflorou nem uma vez a velha mania de antepor o artigo, em maiúscula, ao nome da capital, A Havana. Em Espanha, porém, lá vieram lembrar, na Fundéu, que se escreve «con el artículo en mayúscula, pues forma parte del nombre; por tanto, es inapropiado mencionar esa ciudad omitiendo el artículo: “En Habana tuvo lugar...”». É lá com eles; para nós, Havana, Haia, Corunha, etc.

 

[Texto 7281]

Helder Guégués às 11:06 | comentar | favorito
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