21
Dez 16

Adeus, concordância

Já era

 

      Nunca foi tão fácil disseminar o bem e o mal, o bom e o mau. A Lusa enviou para as redacções de vários meios de comunicação uma notícia sobre o aumento do preço dos passes intermodais. E lá passa o erro em todas as redacções: «O preço dos passes intermodais dos transportes públicos de Lisboa vão aumentar entre 0,10 e 1,30 euros em 2017, na sequência de um despacho do Governo publicado hoje e que fixa um aumento máximo de 1,5%.» Onde estão o brio e o cuidado que se deve ter com o que se publica? Já é o novo normal; ninguém estranha nem protesta.

 

[Texto 7345]

Helder Guégués às 21:54 | comentar | ver comentários (3) | favorito

Tradução: «engrain»

Era previsível

 

      Ah, agora já percebo de onde veio o erro daquela tradutora... No Dicionário de Francês-Português da Porto Editora pode ler-se que engrain é um termo da botânica e se traduz por... esperta! Pouco esperta foi a tal, que não comprovou noutra fonte. Ora vejamos, mesmo sem um botânico aqui à mão, o que podemos dizer é que a língua francesa também tem o termo épeautre, e, quanto a este, verdade seja dita, aquele dicionário não erra: é a nossa espelta. Parece, contudo, que o engrain também é conhecido comummente por petit épeautre. Estavam, pois, reunidas as condições para haver trapalhada, que pode não se resumir à troca de uma letra.

 

[Texto 7344]

Helder Guégués às 21:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito

«Mandado/mandato», mais uma vez

Oh!

 

   É uma notícia desta tarde: Lalanda de Castro, o ex-director da Octapharma acusado de corrupção passiva nos negócios do plasma, foi libertado na Alemanha. «O juiz alemão», lê-se no sítio da TSF, «que decidiu pela libertação considerou que não havia fundamento para o mandato de detenção europeu.» Pois claro, porque o juiz alemão, competente, sabe bem que em português se diz mandado de detenção. Entretanto, já o erro anda por aí repetido nos blogues mais insuspeitos. Eu ia interjeccionar com um chi!, mas o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora diz que é uma interjeição moçambicana. Fica então um simples oh! enquanto não reparam a avaria.

 

[Texto 7343]

Helder Guégués às 18:57 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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Tradução: «viandard»

Eu é mais peixe

 

      «Jean-Paul est un “viandard”.» Coitado, não vai viver muitos anos. Ou vai, isso sabe-se lá. Como traduzimos aquele viandard, sabem? Sim, é «qui aime manger de la viande». Podia ser carnívoro. Melhor seria sempre um termo especialmente cunhado para este sentido; ou, segunda escolha, uma nova acepção de um termo já existente, mas mais expressivo do que aquele. Carneiro? E para o que prefere peixe, peixeiro? Não há quem use estes termos nestes sentidos?

 

[Texto 7342]

Helder Guégués às 15:40 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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21
Dez 16

Tradução: «champ de bosses»

Não pode ser

 

    Como se dirá isto em português? Campo, terreno ou pista de bossas, talvez? Ou será o mesmo que pista de BMX, como vejo aqui e ali? Já que aqui chegámos, deve dizer-se que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora tem dois erros neste verbete: por um lado, não regista a acepção de pequena elevação no leito de uma estrada; por outro, e pior, na acepção 7 afirma que, no Brasil, é o «buraco no pavimento de uma estrada». É um completo contra-senso. Como é que uma protuberância, uma saliência arredondada, no Brasil se transformava num buraco?

 

[Texto 7341]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | ver comentários (2) | favorito