29
Dez 16

«Barreira simbólica»

Ou psicológica

 

      «As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera superaram este ano a barreira simbólica de 400 partes por milhões [sic] e a tendência é para subir. No oceano Ártico, o calor conduziu ao degelo anual que se produz de forma antecipada.» É um excerto de uma notícia da SIC já do mês de Julho, mas a expressão de que vou tratar repete-se, tenho a certeza, todos os dias. Porquê «barreira simbólica»? Simbólica de quê? Por vezes, variante desta, porventura, é a «barreira psicológica». Os revisores do jornal Le Monde vieram agora também falar da barre symbolique: «Il est tout à fait possible de se passer de l’expression “passer sous la barre de, etc.”, et encore plus si elle est qualifiée de “symbolique”. Mais pour ceux qui ne peuvent s’en... passer, sachez qu’il est parfaitement inutile d’employer le pluriel: “sous la barre des 10 %”, par exemple ; “de” est bien suffisant et plus économique. Il est tellement plus simple d’écrire: “le déficit est passé sous 10 %”. Là aussi, c’est plus économique que “le déficit est passé sous [la barre symbolique des] 10 %”.» São manias sem fronteiras, está visto.

 

[Texto 7364]

Helder Guégués às 18:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
29
Dez 16

«Free refill»

Sim, temos de refilar

 

   Há coisas que até parece que só se podem dizer em inglês. Anteontem fui, quando temos criancinhas é assim, a um Burger King. Ora, além da espécie de comida que estes restaurantes servem, que tinha este que me chamou a atenção? Esta maravilha: free refill! Aqui, não há a menor concessão ao português. Lembrei-me logo das pizas de que falaram já esta semana os revisores do jornal Le Monde, pizas fun à dipper. E, numa fórmula semelhante à minha, explicaram: «(= “tremper”, pour les indigènes que nous sommes)».

 

[Texto 7363]

Helder Guégués às 15:07 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,