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Linguagista

Léxico: «tomografar»

Está criada

 

      «Em 1991, Richard Haier, da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), digitalizou os cérebros de jogadores de Tetris» (Guinness World Records 2017. Tradução de Ana Maria Guedes. Lisboa: Planeta Manuscrito, 2016, p. 151).

      Dir-se-á assim em português, «digitalizar»? Richard Haier, como se pode ver aqui, usou a tomografia por emissão de positrões (PET). E não podia, por ser imediatamente mais compreensível, usar-se o verbo tomografar, que, aliás, já tenho lido? O pior é se aparece aqui o outro a dizer que a palavra não está nos quatro dicionários que conhece. Como se toda a língua estivesse nos dicionários... Enfim, descrispemo-nos, não vale a pena perder tempo com isso.

 

[Texto 7389]

Léxico: «descrispação»

Não me diga

 

      «O Presidente da República ficou desgostoso por os portugueses terem elegido “geringonça” como palavra do ano. Ele teria optado por “descrispação”. É uma escolha surpreendente de Marcelo, desde logo porque a palavra não existe. Porto Editora, Houaiss, Aurélio, Academia — nenhum dicionário cá de casa a reconhece» («Já posso crispar-me outra vez?», João Miguel Tavares, Público, 7.01.2017, p. 56).

    Uma singular inaptidão (ou inépcia, se temporária) linguística. Com que então, «descrispação» não existe... Pois é... Deixemos falar o vate de Águeda: «A Mário Soares se deve precisamente a descrispação da vida política e um magistério constante de tolerância e de convivência. Não é coisa pouca no nosso país» (Arte de Marear, Manuel Alegre. Lisboa: Publicações D. Quixote, 2002, 2.ª ed., p. 171).

 

[Texto 7388]

Tradução: «slinky»

Uma simples mola

 

      «Em 25 Out 2014, Susan Suazo de Los Lunas, no Novo México, EUA, foi declarada a orgulhosa proprietária de 1054 Slinkys diferentes – uma colecção tão grande que tem a sua própria apólice de seguro» (Guinness World Records 2017. Tradução de Ana Maria Guedes. Lisboa: Planeta Manuscrito, 2016, p. 143).

      Porquê em maiúscula, pode saber-se? E porquê em inglês? Não foi uma nem duas vezes que ouvi chamarem-lhe mola maluca. Ora, porque não?

 

[Texto 7387]

Não só a pressa

Sabia que?

 

    «Um extraordinário conjunto de 59 peças de xadrez nórdico, primorosamente esculpidas em marfim, foi encontrado na ilha de Lewis (RU) há cerca de dois séculos. Dois dos reis de xadrez são considerados terem semelhanças com os reis noruegueses do século XII Magnus V e Sverrir» (Guinness World Records 2017. Tradução de Ana Maria Guedes. Lisboa: Planeta Manuscrito, 2016, p. 145).

      Provavelmente traduzido e revisto em tempo recorde, e isso nota-se, e muito, mas nem todos os erros se devem à pressa, como é óbvio.

 

[Texto 7386]