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Linguagista

Léxico: «neve furaqueira»

Ou neve ladroa

 

      «Já para Bernardete Choupina [da aldeia de Gimonde, Bragança] as neves da infância não lhe trazem grandes recordações. “Lembra-me, era eu uma moça, veio assim uma neve que lhe chamavam a furaqueira que entrava pelas casas. Não tinham forro e a neve caía em cima das camas. Tínhamos que nos levantar e sacudi-la (risos)”» («Botijas, lume e cobertores são os aliados dos transmontanos para combater o frio», TSF, 16.01.2017, 13h06).

      É isso mesmo: «Furaqueira (neve) — neve muito miúda, seca e puxada a vento, que se introduz nas casas. Também chamada “neve ladroa”» (O Diabo Veio ao Enterro: Contas do Nordeste, A. M. Pires Cabral. Lisboa: Nova Nórdica, 1985, p. 101).

      É pena é os dicionários não incluírem mais regionalismos, o que é, de alguma maneira, uma forma de os legitimar, além de fixar a sua ortografia.

 

[Texto 7412]

Definição de «sal»

Já não é o único

 

      Faz muito bem o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora em não definir o sal como «substância dura, solúvel, friável, etc.», porque, se é a forma mais comum, a verdade é que também já há sal líquido. Lê-se naquele dicionário: «designação comum do cloreto de sódio, usado no tempero e na conservação dos alimentos». Na embalagem que tenho à minha frente, de sal produzido em Castro Marim, afirma-se que é «100 % natural, rico em minerais, 5 x menos sódio e 20 x mais magnésio». Então, pode dizer-se que é um sal hipossódico, palavra que recentemente sugeri que fosse incluída naquele dicionário.

 

[Texto 7411]