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Linguagista

Traduzir «smartphone»

Semiaportuguesamento não chega

 

      O Brasil é um país fantástico. Lá, são tão loucos por tecnologia como nós. Sobretudo por telemóveis, ou, agora, esmartefones. Exactamente, é desta forma que muitos escrevem a palavra. Ainda ontem me perguntaram o que achava do semiaportuguesamento «smartfone». Bem, «fone» já nós tínhamos, mas a parte mais bárbara é o «smart». De qualquer maneira, já «telemóvel» é uma palavra idiota, porque o que é móvel é o fone, não o tele. Enfim. Bem sei que se trata de duas coisas diferentes, mas em que circunstâncias é que temos mesmo de usar o termo inglês ou o seu equivalente em português, se o encontrarmos? Raríssimas. E na tradução, como é?, perguntam-me. Se fazer essa distinção tiver importância decisiva, porque não «telefone inteligente»?

 

[Texto 7418]

Ortografia: «cata-vento»

Ninguém se entendia

 

      O Bartoon, de Luís Afonso, na edição de hoje do Público, merecia uma visita da ASAE: está infectado com um erro repetido. «A certa altura, Passos chamou catavento a Marcelo.» «Agora foi Marques Mendes a chamar catavento a Passos.» Isto, que podem parecer inânias, na verdade, tem a sua importância. O que seria da língua se cada um — e isto só no domínio da ortografia — escrevesse como lhe dá na veneta? Ah, pois.

 

[Texto 7417]

O AOLP90 e a idiotice

Presos linguísticos

 

      Sempre houve pessoas desinformadas, temerosas, sem espinha, e sempre há-de haver. Pessoas que não gostavam de ter de adoptar as regras do Acordo Ortográfico de 1990 já me têm perguntado o que lhes acontece se continuarem a escrever como sempre o fizeram. Por vezes brinco e respondo-lhes que as espera, fatalmente, a Colónia Penal do Tarrafal, que vai ser reactivada para este fim. Deviam olhar à sua volta e pensar um pouco, que não faz mal. Observavam, por exemplo, o Documento Único Automóvel que receberam no correio e viam que as únicas palavras que deviam mudar com o AOLP90 estão incólumes: «correctos», «rectificação», «respectiva», «respectivos». Vá lá, pensem, o tempo está a esgotar-se.

 

[Texto 7416]