Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Como escrevem alguns jornalistas

Pergunte por aí

 

      «A antiga comissária do Plano Nacional de Leitura defende que o livro “O nosso reino” de Valter Hugo Mãe nunca deveria ter sido recomendado aos alunos do 3º ciclo. […] O jornal Expresso revelou este sábado que livro “O nosso reino” tem frases como “E a tua tia sabes de que tem cara, de puta, sabes o que é, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu”» («Isabel Alçada: “Nunca aceitei na sala de aula esse tipo de linguagem”», Ana Sofia Freitas, TSF, 30.01.2017, 16h20).

      Avaliar uma obra apenas por uma frase é que me parece condenável. Mais valia não a terem escolhido. Mas agora repare, Ana Sofia Freitas, na última frase do seu artigo: «O jornal adianta que os pais dos estudantes do Liceu Pedro Nunes, que frequentam o 8º ano, se queixaram do conteúdo do livro.» O que escreveu significa que TODOS os alunos da Escola Secundária Pedro Nunes frequentam o 8.º ano. Agora não tenho paciência para lhe explicar porquê — excepto que não sabe pontuar —, mas pergunte por aí.

 

[Texto 7446]

Léxico: «xé»

E Angola, não é nossa?

 

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora diz-nos que «ché» é a interjeição (acepção 2) que se usa para chamar a atenção de alguém. Neste caso, a etimologia seria o castelhano da Argentina che. E regista outro ché, também interjeição, esta de São Tomé e Príncipe, para designar espanto, cepticismo. Está bem, mas em Angola também sempre se usou — e a grafia é xé. Nisto, fio-me mais no cónego António Miranda Magalhães (1882-1938) e no Manual de Línguas Indígenas de Angola (Luanda: Imprensa Nacional de Angola, 1922), que a grafa e diz que serve para chamar.

 

[Texto 7445]