01
Fev 17

«Tratar-se de», pela 1000.ª vez

Para tudo dizer

 

      «Minhotos de nascimento e apoiantes do Sporting de Braga, Dona Clara e Marcelo – o “senhor professor”, como fez sempre questão de o chamar – conversaram animadamente durante mais de 40 minutos, como se de velhos amigos se tratassem, tendo o Presidente da República confessado: “se eu não tivesse outras coisas[,] ficava aqui e ainda jantava consigo”» («Presidente ao domicílio», Lusa e TSF, 1.02.2017, 21h28).

      Já sei que não aprendem, mas que se lixe. Então tratar-se não é um verbo defectivo e impessoal, pelo que se usa sempre na 3.ª pessoa do singular? «Como se de velhos amigos se tratasse». Ai esta Lusa, esta Lusa... um verdadeiro lusus naturae, é que é.

 

[Texto 7455]

Helder Guégués às 23:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Tradução: «Shunammite»

Nem os incréus

 

      Quem não conhece a história de Abisague, a jovem sunamita encarregada de aquecer o decrépito rei David? Ora quem... Se estou aqui a ler «Abishague a Shunamita», há pelo menos uma pessoa em Portugal. No original, estava «Abishag a Shunammite», therefore, não é preciso pensar muito, não é? E depois os dicionários nem sempre ajudam. Eu já nem queria, a minha ambição tem limites, que registassem sunamitismo, mas pelo menos sunamita/sunamite. Mas, vejo agora, o Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora regista «Shunammite: RELIGIÃO (Bíblia) sunamita». Coragem, só falta o resto.

 

[Texto 7454]

Helder Guégués às 23:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Estatísticas variáveis

Tantos?

 

      «A versão em espanhol (idioma que tem mais de 50 milhões de falantes nos Estados Unidos e 700 milhões em todo o mundo), desapareceu da página oficial da Casa Branca pouco depois de Donald Trump tomar posse como Presidente dos Estados Unidos, a 20 de janeiro» («Casa Branca reativa conta do Twitter em espanhol», TSF, 1.02.2017, 16h30).

      Tantos? Num mundo tão diverso, há sempre, pelo menos, meia dúzia de fontes que registam números diferentes sobre a mesma realidade. Nem os Espanhóis são tão exagerados.

 

[Texto 7453]

Helder Guégués às 22:59 | comentar | favorito
Etiquetas:

Léxico: «gasogénio»

Tudo se arranja

 

      No verbete relativo a gasogénio, parece-me evidente que falta uma acepção nos nossos principais dicionários. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, regista apenas duas acepções: «1. aparelho destinado à produção de gás pobre; 2. aparelho com que se fabrica a água de Seltz». A segunda acepção só interessa a sherlockianos. Quando o Professor Marco Ferraguti, docente de Agricultura na Universidade de Perúgia, Itália, inventou o gasogénio e pôs um Alfa Romeo 6C 1750 Gran Sport Gasogeno nas Mil Milhas, o termo tanto designava o aparelho como o próprio combustível — que foi usado noutros países em tempos de escassez de gasolina — obtido por aquele aparelho. Portanto, o verbete está incompleto. Como incompleto está o verbete gasógeno, que remete para aquele, porque na primeira acepção também é sinónimo de «gasogénio».

 

[Texto 7452]

Helder Guégués às 16:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito (1)
Etiquetas: ,

Léxico: «coimbrinha»

Ainda lá cabe este

 

      «O homem, “coimbrinha de nascimento e alfacinha pelo local de trabalho”, ficou famoso pela participação num concurso de TV, a Cornélia, com um empreendimento familiar que fizera dele um pop star. “Aqui há quatro meses, as mães aproximavam-se de mim e diziam aos meninos pequenos: ‘Vá, dá lá um beijinho ao senhor da Cornélia!’”, explica-nos ele, envergonhado por, depois de tanto beijo, ainda ter sido transformado em cromo da caderneta do concurso. O certo é que ficou famoso, mas o merecimento era maior do que a pilhéria de umas noites de TV» («Salve, Fernando Assis Pacheco [1937-95]», Francisco Louçã, Público, 1.02.2017, p. 45).

    Excepto na frequência de uso, está para Coimbra como «alfacinha» está para Lisboa, e, no entanto, não o encontro nos dicionários. De qualquer maneira, muito mais estranho é ver ausente do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o vocábulo coimbrense. É ou não é? Acolhe os outros: coimbrão, conimbricense, conimbrigense, colimbriense.

 

[Texto 7451]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
01
Fev 17

Léxico: «biomaterial»

Já lá devia estar

 

      «Uma equipa liderada por David Ângelo colocou biomateriais com propriedades regenerativas no disco articular junto à mandíbula. Problema que afeta cerca de 30% dos portugueses» («Médico português cria nova técnica cirúrgica para disfunções na mandíbula», TSF, 31.01.2017, 18h03).

      Está em vários dicionários da Infopédia, mas não no Dicionário da Língua Portuguesa, que era precisamente onde mais interessava estar, porque aí estaria a definição: qualquer material, sintético ou natural, que pode ser usado como sistema ou parte de um sistema que trata, aumenta ou substitui qualquer tecido, órgão ou função no corpo, especialmente material adequado usado em próteses que podem estar em contacto com tecido vivo. Até porque aquele dicionário já regista os vocábulos biocompatibilidade e biocompatível.

 

[Texto 7450]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,